Pai: Então doutor? Já nasceu?
Doutor: Hum... sim, já nasceu...
Pai: E então? Está tudo em ordem?
Doutor: Bom, err... está quase quase tudo bem...
Pai: Quase tudo?
Doutor: Há um... um pequeno, vá lá, problema com o menino...
Pai: Um problema? Que problema, doutor?
Doutor: Bom... a criança, enfim... a criança infelizmente não é Benfiquista...
Pai: Mas... mas... não é Benfiquista? Como "não é Benfiquista"?
Doutor: Ainda não posso adiantar muito, teremos de fazer uns exames para determinar o desvio... Estas malformações não são detectáveis nas ecografias, compreende? De qualquer forma, é um handicap raro de origem ainda indeterminada...
Pai: Ó meu Deus... e agora? É muito grave, doutor? Há cura?
Doutor: Cura não tem. Mas, quem sabe, no futuro não surge uma terapia eficiente? Há que ter esperança.
Pai: Mas é grave?
Doutor: Diria que poderá trazer transtornos, mas a gravidade só poderá ser avaliada depois de determinada a natureza do desvio. De qualquer modo, é importante educar o menino num ambiente confortável, tratá-lo como se não tivesse qualquer problema e, sobretudo, acarinhá-lo muito. Pode ser diferente, mas merece o vosso amor. É o vosso filho e nunca se esqueçam disso...
Quando ouço ou leio alguém que não é Benfiquista a falar das alegrias que o seu clube lhe dá, sinto sempre alguma compaixão, penso sempre "coitados... alegria dos tristes". Isto não é maldade nem, tão pouco, maledicência de qualquer espécie. É uma reacção natural, uma intuição: sem Benfica, tudo é incompleto, tudo pode ser, na melhor das hipóteses, quase bom. Não sei como explicá-lo. É como se, não se sendo Benfiquista, a vitória, seja ela qual for, não passasse de um prémio de consolação. Porque ser do Benfica é um estado perpétuo e elevado de existência. Não ser do Benfica é o resto. Vejo sempre o ser do Benfica como uma condição natural do ser humano, a priori; se não se é do Benfica é porque alguma coisa falhou, algures.
Ontem ouvi a Maria José Valério a falar na televisão, a contar como foi cantar pela primeira vez o hino do Sporting. E notei-lhe - não estou a brincar - uma leve angústia na voz e no olhar quando ela descrevia, com sorriso amargo, a alegria que sentiu quando cantou, no Tivoli, "viva o Sporting!" e o público, sportinguista, respondia "viva o Sporting". Havia um traço a transtornar-lhe a expressão, algo naquela descrição denunciava uma felicidade imperfeita e incontornável - como se ela pensasse "mas, apesar de tudo, foi um momento alegre, enfim...".
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Assim falou Armés
«Não sei se é possível humilhar, goleando, uma equipa como a do Barcelona. Mas, se o for, hoje é um bom dia para isso acontecer.»
Podem ver o jogo indo por aqui. Mas - e atenção a este MAS - só DEPOIS de acabarem de ver o Benfica.
Podem ver o jogo indo por aqui. Mas - e atenção a este MAS - só DEPOIS de acabarem de ver o Benfica.
«Enfermeira, que lhe parece, não acha que a situação está a evoluir favoravelmente?»
A crónica de hoje de Eduardo Barroso é apenas uma tremenda seca lamechas sobre a profunda desgraça que é o «seu querido Sporting», pejada de lamúrias e sem ponta de interesse. A dor de cotovelo está lá, mas de forma latente. Bravo, doutor. Bravo.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
«Mi casa es mi casa» (contém ilustrações)
Para mim, com o Benfica não há dilemas: ou há impossibilidade, ou há a obrigação moral de ir à Catedral. Por impossibilidade, entenda-se a própria morte, a morte de alguém próximo, doença incapacitante, lesão dolorosa recente, bancarrota, compromisso profissional intransigente ou datas profundamente inalteráveis – o casamento, por exemplo, não está contemplado nesta última categoria e, se algum dia me casar, tentarei fazê-lo na segunda metade de Julho ou, se for em ano sem Europeu nem Mundial, na segunda metade de Junho ou primeira de Julho; já o aniversário da minha namorada, por seu lado, está amplamente abrangido pela categoria e permite escusa com justificação.
Acontece, precisamente e é uma feliz coincidência estarmos agora a falar disto, que a minha namorada fez anos no fim-de-semana e lá fomos nós ao Algarve, que é a terra dela. É estranho dizer-se que se “vai à terra” indo uma pessoa ao Algarve. Normalmente, vai-se “à terra” a Oliveira do Hospital, ao Sabugal, a São João da Pesqueira ou, sei lá, a Borba. Parece quase injusto ir-se à terra ao Algarve. Mas a vida é feita destas contrariedades e, assim, todos os santos verões, só para que tenham uma ideia do que passo, lá me vejo obrigado a rumar ao Sul, a ter de enfrentar águas tépidas e mansas, para não falar nas temperaturas de 35 graus, do marisco e das sardinhas. Enfim, tudo na vida tem um preço e eu estou disposto a pagá-lo, de bom grado, em troca da harmonia familiar. Fomos, portanto, à terra festejar o aniversário.
Chegados ao destino, fui em busca de um bom sítio para ver o Benfica – escusa de ir ao Estádio não abrange licença de abstinência: lá ou aqui ou em qualquer lado, o Benfica é para ser sentido, acompanhado, celebrado e adorado. Há que cuidar bem das coisas bonitas da vida. Desci direitinho ao Merlin’s, faltavam dez minutos para o apito inicial, mas…

Fechado.

Faltavam nove minutos para começar a partida. Baralhado, desorientado, em pânico, comecei a subir a rua, de regresso. Mas de regresso para onde? Não, erro. Voltemos para baixo. E lá fui eu, descendo em passo rápido, auscultando cada café, cada pub, cada restaurante, em busca de uma SportTV sintonizada e de um distintivo azul na porta. Por toda a parte, apenas Sky Sports ou, em alternativa, canais abertos nacionais. Seis minutos para o kick-off e eu a percorrer ruas estreitas e retorcidas da zona velha de Albufeira, dirigindo-me ao centro, esperando encontrar no meio daquela cidade apagada, abstraída de Portugal, um lampejo de amor ao futebol de cá da terra – eu já nem pensava em Benfiquismo, não pedia tanto.
Ao virar uma esquina e chegar à praça central, ouço um inconfundível separador publicitário, um «trululum»… SPORTTV!!!!!

Segui aquele som como se, no limite da minha sede, seguisse o ruído pacífico de um curso de água no meio da floresta (ando a ler a Pearl S. Buck, todas as minhas metáforas devem conter elementos da natureza transmitindo a paz e a serenidade tipicamente orientais). Quando chego perto, a incredulidade arrebata-me, primeiro, esmaga-me, em seguida, e, por fim, faz-me grato e comovido: o som vinha da Casa do Benfica de Albufeira.

Subi as escadas e, entrando na sala, disse bem alto «boa tarde e viva o Benfica!». Uma mini Sagres posou graciosamente sobre o balcão como se tivesse esperado por mim a vida inteira. Sentei-me, em casa, entre os meus, acendi um cigarro e vi o nosso Benfica ganhar.
Acontece, precisamente e é uma feliz coincidência estarmos agora a falar disto, que a minha namorada fez anos no fim-de-semana e lá fomos nós ao Algarve, que é a terra dela. É estranho dizer-se que se “vai à terra” indo uma pessoa ao Algarve. Normalmente, vai-se “à terra” a Oliveira do Hospital, ao Sabugal, a São João da Pesqueira ou, sei lá, a Borba. Parece quase injusto ir-se à terra ao Algarve. Mas a vida é feita destas contrariedades e, assim, todos os santos verões, só para que tenham uma ideia do que passo, lá me vejo obrigado a rumar ao Sul, a ter de enfrentar águas tépidas e mansas, para não falar nas temperaturas de 35 graus, do marisco e das sardinhas. Enfim, tudo na vida tem um preço e eu estou disposto a pagá-lo, de bom grado, em troca da harmonia familiar. Fomos, portanto, à terra festejar o aniversário.
Chegados ao destino, fui em busca de um bom sítio para ver o Benfica – escusa de ir ao Estádio não abrange licença de abstinência: lá ou aqui ou em qualquer lado, o Benfica é para ser sentido, acompanhado, celebrado e adorado. Há que cuidar bem das coisas bonitas da vida. Desci direitinho ao Merlin’s, faltavam dez minutos para o apito inicial, mas…

Fechado.

Faltavam nove minutos para começar a partida. Baralhado, desorientado, em pânico, comecei a subir a rua, de regresso. Mas de regresso para onde? Não, erro. Voltemos para baixo. E lá fui eu, descendo em passo rápido, auscultando cada café, cada pub, cada restaurante, em busca de uma SportTV sintonizada e de um distintivo azul na porta. Por toda a parte, apenas Sky Sports ou, em alternativa, canais abertos nacionais. Seis minutos para o kick-off e eu a percorrer ruas estreitas e retorcidas da zona velha de Albufeira, dirigindo-me ao centro, esperando encontrar no meio daquela cidade apagada, abstraída de Portugal, um lampejo de amor ao futebol de cá da terra – eu já nem pensava em Benfiquismo, não pedia tanto.
Ao virar uma esquina e chegar à praça central, ouço um inconfundível separador publicitário, um «trululum»… SPORTTV!!!!!

Segui aquele som como se, no limite da minha sede, seguisse o ruído pacífico de um curso de água no meio da floresta (ando a ler a Pearl S. Buck, todas as minhas metáforas devem conter elementos da natureza transmitindo a paz e a serenidade tipicamente orientais). Quando chego perto, a incredulidade arrebata-me, primeiro, esmaga-me, em seguida, e, por fim, faz-me grato e comovido: o som vinha da Casa do Benfica de Albufeira.

Subi as escadas e, entrando na sala, disse bem alto «boa tarde e viva o Benfica!». Uma mini Sagres posou graciosamente sobre o balcão como se tivesse esperado por mim a vida inteira. Sentei-me, em casa, entre os meus, acendi um cigarro e vi o nosso Benfica ganhar.
Melhor diálogo do fim-de-semana
-Tou, Diego?
-Yo, máméne, comé quié? Tá-se?
-Tá-se, tá-se… já vamos ver se tá-se…
-Então, pá? Que é que se passa?
-Tás no Algarve?
-Tou, acabei de passar aquela placa que diz “Algarve” mesmo, aquela grande. Granda pontaria, man… Ainda estou na estrada.
-Que fixe… olha, não tens contigo por acaso um Redpass com o nome de Felisberto Roberto Gilberto Adalberto, não?
-Eu?! Tás parvo?! Não, pá… então, eu devolvi-te isso… não te lembras?
-Não, não me lembro… e, além de não me lembrar, não o encontro, cabrão… e foi a ti que eu o emprestei.
-Mas eu devolvi-te… tenho a certezinha absoluta disso… eu lembro-me perfeitamente…
-Ai tens? Pensa lá bem se tens…
-Absoluta, man!... Estou a ver aqui a carteira… e tudo…
-Sim…? E não o tens? De certeza?
-Epá… erhm… mais ou menos…
-O que é que queres dizer com “mais ou menos”?
-Mas… tu querias ir ver a bola, era?
-Ó palhaço, eu estou à porta do Estádio! O que é que tu achas?
-… man, eu pago-te o bilhete…
-TENS OU NÃO TENS A PORRA DO REDPASS?
-… eu pago-te o bilhete, já disse… vai lá ver a bola descansado…
-…
- :(
-Tão caladinho… aposto que estás a fazer um saddy…
- :(
-Eu não vejo a tua cara, Diego…
-Yo, máméne, comé quié? Tá-se?
-Tá-se, tá-se… já vamos ver se tá-se…
-Então, pá? Que é que se passa?
-Tás no Algarve?
-Tou, acabei de passar aquela placa que diz “Algarve” mesmo, aquela grande. Granda pontaria, man… Ainda estou na estrada.
-Que fixe… olha, não tens contigo por acaso um Redpass com o nome de Felisberto Roberto Gilberto Adalberto, não?
-Eu?! Tás parvo?! Não, pá… então, eu devolvi-te isso… não te lembras?
-Não, não me lembro… e, além de não me lembrar, não o encontro, cabrão… e foi a ti que eu o emprestei.
-Mas eu devolvi-te… tenho a certezinha absoluta disso… eu lembro-me perfeitamente…
-Ai tens? Pensa lá bem se tens…
-Absoluta, man!... Estou a ver aqui a carteira… e tudo…
-Sim…? E não o tens? De certeza?
-Epá… erhm… mais ou menos…
-O que é que queres dizer com “mais ou menos”?
-Mas… tu querias ir ver a bola, era?
-Ó palhaço, eu estou à porta do Estádio! O que é que tu achas?
-… man, eu pago-te o bilhete…
-TENS OU NÃO TENS A PORRA DO REDPASS?
-… eu pago-te o bilhete, já disse… vai lá ver a bola descansado…
-…
- :(
-Tão caladinho… aposto que estás a fazer um saddy…
- :(
-Eu não vejo a tua cara, Diego…
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Escolhe uma alcunha
Aviso prévio: este post, se avaliado numa escala de bom-gosto e educação, seria eliminado por não preencher os requisitos mínimos. A sua essência é o insulto e a sua natureza é bastante ordinária.
Depois daquele aviso, vou resumir a nota introdutória: o assunto é a Marta Rebelo. Uma pequena ronda pela Gloriososfera deixa uma ideia bem vincada: à Marta ninguém lhe pegava, por mais Benfiquista que se auto-proclame. Por mim, destituía-a do grau de Benfiquismo. De hoje em diante, ser-lhe-ia proibido ostentar essa patente, a mais alta da escala do clubismo. Não sei se terei poderes para isso, mas fica aqui a sugestão, ainda assim.
Bom, vamos ao que interessa. A Marta traz diversão. E não estou a ser porco - ainda. Traz diversão - e não disse "diverte" - porque, após a leituras do seu Record de cretinices, muitas outras crónicas de escárnio e ódio, veneno e verdades se geram com origem no sémen que debita - isto, sem qualquer tipo de maldade, não estou a sugerir que a Marta escreva... enfim, era metafórico.
De toda a parte chegam palavras para Marta Rebelo. E quando as palavras não chegarem - continue a Marta a escrever todas as semanas e as palavras não chegarão -, alguém há-de inventar palavras novas para qualificar a Marta.
Pela minha parte, farei o que posso: encontrar o epíteto ideal para Marta Rebelo, esta pessoa que já foi um pouco de tudo, sem nunca ser sido nada.
«Cardozo é teimoso, pesado, cabeçudo, preguiçoso, lento e caprichoso», diz Marta Rebelo, que é jurista e assistente universitária, para além de ex-deputada e boa companhia. Porém, entre tanta função distinta, uma pessoa perde-se e não sabe qual será o cognome ideal. Procurêmo-lo, peço-vos ajuda. Fica, para já, a minha proposta: Marta, a Usada.
Depois daquele aviso, vou resumir a nota introdutória: o assunto é a Marta Rebelo. Uma pequena ronda pela Gloriososfera deixa uma ideia bem vincada: à Marta ninguém lhe pegava, por mais Benfiquista que se auto-proclame. Por mim, destituía-a do grau de Benfiquismo. De hoje em diante, ser-lhe-ia proibido ostentar essa patente, a mais alta da escala do clubismo. Não sei se terei poderes para isso, mas fica aqui a sugestão, ainda assim.
Bom, vamos ao que interessa. A Marta traz diversão. E não estou a ser porco - ainda. Traz diversão - e não disse "diverte" - porque, após a leituras do seu Record de cretinices, muitas outras crónicas de escárnio e ódio, veneno e verdades se geram com origem no sémen que debita - isto, sem qualquer tipo de maldade, não estou a sugerir que a Marta escreva... enfim, era metafórico.
De toda a parte chegam palavras para Marta Rebelo. E quando as palavras não chegarem - continue a Marta a escrever todas as semanas e as palavras não chegarão -, alguém há-de inventar palavras novas para qualificar a Marta.
Pela minha parte, farei o que posso: encontrar o epíteto ideal para Marta Rebelo, esta pessoa que já foi um pouco de tudo, sem nunca ser sido nada.
«Cardozo é teimoso, pesado, cabeçudo, preguiçoso, lento e caprichoso», diz Marta Rebelo, que é jurista e assistente universitária, para além de ex-deputada e boa companhia. Porém, entre tanta função distinta, uma pessoa perde-se e não sabe qual será o cognome ideal. Procurêmo-lo, peço-vos ajuda. Fica, para já, a minha proposta: Marta, a Usada.
São só duas coisas rápidas, sem importância
1) Os leitores que aqui se dão ao trabalho de comentar são, por norma, pessoas de grande nível. É uma honra e um orgulho ter-vos por cá. Agradeço-vos, mas agradeço-vos sinceramente, as mensagens de parabéns, de elogio e de incentivo. Aliás, penso que poderiam traduzir esses incentivos e elogios participando nesta votação aqui: 227218 ao poder!
2) Este blogue cujo nome é um número esquisito - um à-parte: quantos dos leitores assíduos não sabem já o meu número de sócio de cor, hum? - e que fez um ano ainda agora há dias está surpreendentemente nomeado para Blogue de Desporto de 2011. Podem votar aqui: o 227218 é o maior. Não digo que votem neste blogue. Felizmente, estou em muitíssimo boa companhia. Se eu pudesse votar em 3 ou 4, votava. Como não posso, votei apenas em mim (decisão meramente salomónica, para não pensarem que gosto mais de uns do que de outros).
3) Um dia destes hei-de escrever sobre aquela que ganha pontos, crónica após crónica, como meu "ódio de estimação do futuro". Chama-se Marta Rebelo, escreve às segundas no Record e percebe menos de futebol do que as esposas de José António Saraiva e de Eduardo Barroso. Como agravante, é do Benfica (diz ela), o que me causa profundo embaraço.
4) Vota democraticamente: 227218!
2) Este blogue cujo nome é um número esquisito - um à-parte: quantos dos leitores assíduos não sabem já o meu número de sócio de cor, hum? - e que fez um ano ainda agora há dias está surpreendentemente nomeado para Blogue de Desporto de 2011. Podem votar aqui: o 227218 é o maior. Não digo que votem neste blogue. Felizmente, estou em muitíssimo boa companhia. Se eu pudesse votar em 3 ou 4, votava. Como não posso, votei apenas em mim (decisão meramente salomónica, para não pensarem que gosto mais de uns do que de outros).
3) Um dia destes hei-de escrever sobre aquela que ganha pontos, crónica após crónica, como meu "ódio de estimação do futuro". Chama-se Marta Rebelo, escreve às segundas no Record e percebe menos de futebol do que as esposas de José António Saraiva e de Eduardo Barroso. Como agravante, é do Benfica (diz ela), o que me causa profundo embaraço.
4) Vota democraticamente: 227218!
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
«Serás um bom Benfiquista»
Aparentemente, fazer um ano não basta. Para se merecer uma simples palavrinha, uma singela parabenização, este blogue tem de providenciar aos seus exigentes consumidores matéria literária em quantidade que justifique a maçada de se escrever um comentário com uma palavra (e um ponto de exclamação, se formos modernos). Recebi, até ao momento, quatro comentários (mais ou menos) de parabéns. Um deles, de um distinto sportinguista, selo de qualidade deste blogue, albino desta ninhada de leitores que atesta a pureza de gosto de quem por aqui pára. Assim sendo, aqui vai o que eu tenho para vos dizer hoje. É uma espécie de discurso que eu andei a ensaiar no banho e será valioso se conseguirem imaginar-me, não na banheira, mas antes no lugar de topo de uma longa mesa, com um cálice de Porto velho na mão, dirigindo-me a vós, brindando e agradecendo-vos. Mais ou menos.
Há um ano atrás, lembro-me como se tivesse sido ontem, estava eu assoberbado de trabalho e pensei “que se lixe! Eu gosto é do Benfica”. Pensadas estas palavras, deitei mãos à obra. Há quem defenda poeticamente que “o homem sonha, a obra nasce”, mas esta é uma verdade apenas parcial – qualquer ronda pelos arquivos do blogue demonstrará que foram uma meia-dúzia, se tanto, os textos que me saíram de sonhos, sendo que da última ocasião em que tal aconteceu o resultado foi um post vertiginoso e psicadélico. Portanto, neste blogue, “o homem trabalha e a obra cresce”! Esta, sim, é uma verdade rigorosa – o trabalho é fundamental, já que sempre que estou de férias, tenho muito mais que fazer do que escrever aqui.
Há um ano atrás – as memórias são-me tão nítidas, tão cristalinas, que ao invés de nostalgia, sinto o vigor de quem acabou de nascer –, disse para comigo: «Diego, se é para fazeres um blogue Benfiquista, não será para andares a relatar os jogos como se fosses um jornalista sem carteira profissional nem ordenado. Tens de fazer qualquer coisa que vá mais longe. Tens de conseguir que as pessoas te leiam sem dizeres coisas relevantes». Modéstia à parte, se aqui estamos hoje, eu a escrever e vocês a ler-me, é porque consegui: 365 dias, zero motivos de interesse, quase 40 mil leitores.
Hoje, um ano muito breve mais tarde, uma pequena vertigem depois do pontapé de saída – um ano? O que é um ano na História de um Clube centenário como o meu? –, sinto-me um bom Benfiquista. E todos os dias tento ser um Benfiquista melhor, partilhando convosco a nobre missão de adorar e venerar esse desporto extraordinário que é o futebol.
Obrigado por estarem aqui. À nossa!
Há um ano atrás, lembro-me como se tivesse sido ontem, estava eu assoberbado de trabalho e pensei “que se lixe! Eu gosto é do Benfica”. Pensadas estas palavras, deitei mãos à obra. Há quem defenda poeticamente que “o homem sonha, a obra nasce”, mas esta é uma verdade apenas parcial – qualquer ronda pelos arquivos do blogue demonstrará que foram uma meia-dúzia, se tanto, os textos que me saíram de sonhos, sendo que da última ocasião em que tal aconteceu o resultado foi um post vertiginoso e psicadélico. Portanto, neste blogue, “o homem trabalha e a obra cresce”! Esta, sim, é uma verdade rigorosa – o trabalho é fundamental, já que sempre que estou de férias, tenho muito mais que fazer do que escrever aqui.
Há um ano atrás – as memórias são-me tão nítidas, tão cristalinas, que ao invés de nostalgia, sinto o vigor de quem acabou de nascer –, disse para comigo: «Diego, se é para fazeres um blogue Benfiquista, não será para andares a relatar os jogos como se fosses um jornalista sem carteira profissional nem ordenado. Tens de fazer qualquer coisa que vá mais longe. Tens de conseguir que as pessoas te leiam sem dizeres coisas relevantes». Modéstia à parte, se aqui estamos hoje, eu a escrever e vocês a ler-me, é porque consegui: 365 dias, zero motivos de interesse, quase 40 mil leitores.
Hoje, um ano muito breve mais tarde, uma pequena vertigem depois do pontapé de saída – um ano? O que é um ano na História de um Clube centenário como o meu? –, sinto-me um bom Benfiquista. E todos os dias tento ser um Benfiquista melhor, partilhando convosco a nobre missão de adorar e venerar esse desporto extraordinário que é o futebol.
Obrigado por estarem aqui. À nossa!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
O desvendar de um mistério
Que razão me leva a ler gente que não gosto de ler, semana após semana? A pergunta é de um leitor que assina Here Comes the Rain – alcunha que, junto com a sua breve nota acerca da Antena 3 e a impropriedade ligeira da questão, parece indiciar que HCtR tem maior afinidade com o universo da música do que com o do futebol. Ao contrário de mim, apesar dos meus esforços regulares para equilibrar um pouco mais as coisas.
A pergunta não é tonta, não chegamos a tanto. Eu próprio dou por mim a pensar «ó Diego, mas para que é que tu insistes? Para quê?!». Mas depois caio em mim – e este processo não demora muito – e apercebo-me de que o assunto, enfim, é futebol. E esta, disfarçando-se de explicação simples, é uma condição explicativa de boa parte dos fenómenos do meu quotidiano.
Imaginemos a seguinte situação: vai dar o Sporting – Porto. E eu – surpresa, surpresa - sou Benfiquista. Mas generalizemos esta situação a todos os leitores: os que não forem do Benfica (gosto de cultivar a ilusão de que os há neste blogue), substituam os termos à medida do que vos for mais conveniente. Portanto: vai dar o jogo, sábado, às oito da noite.
Situação paralela: eu tenho um convite para jantar mais a minha senhora e três outros casais amigos. É daqueles jantares que prometem bom convívio, bom prato e bom vinho, muita conversa, trocas de ideias, apresentações públicas de tremendos projectos para o futuro, elogios mútuos, uísque velho, boa sobremesa e, havendo juízo, uma saída louca até às duas da manhã ou mais. Uma jantarada!
«Quando é que é mesmo o jantar, xuxu?»
«Sábado, fofinho. Sábado, às oito e meia.»
«Opá, que aborrecido… Não posso, minha flor. Já tinha combinado umas coisas…»
«Coisas?! Que coisas?! Diego Armés, Diego Armés… é a um sábado… e o Benfica joga no domingo, que eu sei muito bem e até disse logo à Luísa “tu não marques para domingo senão o Diego diz logo que não vai”… Portanto, o que é que tu tens de tão importante para fazer sábado à hora do jantar que te impede de aceitar o convite?»
«É o… bom, é o… zbôd – pürt…»
«Desculpa?»
«zbôd – pürt»
«Ahn? Fala como um homem, que assim não te percebo!»
«É o SPORTING – PORTO».
Longo silêncio. Decidida saída feminina em direcção à cozinha. Água a correr. Pratos são lavados com muita energia.
Nesta altura, o narrador-protagonista suspendeu a respiração e está profundamente estático, imóvel, de olhar fixo no vazio, esperando que o tempo passe até que…
«Tu explicas-me, hum? Explicas-me? Explicas-me como é tu, Benfiquista»
«Amor, acho que a água ficou a correr»
«Eu quero que a água se lixe! Como é que tu, um Benfiquista que só vê é o Benfica à frente, faz planos – planos ah-ah, espera, planos imutáveis! Não se toque nos planos do menino! – como é que me fazes planos para ver a merda de um jogo entre duas equipas que tu odeias? Como? Explicas-me?»
«Eu… é que…»
«Fica sabendo que eu vou a esse jantar! Não queres vir não vens.»
Saída com andar no imperativo. Os mesmos pratos são novamente lavados, agora com mais energia.
Caro Here Comes the Rain: na verdade, há coisas que não têm explicação. São assim simplesmente porque são assim. Não trazem nada de bom às nossas vidas, acrescentam apenas aborrecimentos, rancores e energias negativas. Mas não conseguimos passar sem elas.
A pergunta não é tonta, não chegamos a tanto. Eu próprio dou por mim a pensar «ó Diego, mas para que é que tu insistes? Para quê?!». Mas depois caio em mim – e este processo não demora muito – e apercebo-me de que o assunto, enfim, é futebol. E esta, disfarçando-se de explicação simples, é uma condição explicativa de boa parte dos fenómenos do meu quotidiano.
Imaginemos a seguinte situação: vai dar o Sporting – Porto. E eu – surpresa, surpresa - sou Benfiquista. Mas generalizemos esta situação a todos os leitores: os que não forem do Benfica (gosto de cultivar a ilusão de que os há neste blogue), substituam os termos à medida do que vos for mais conveniente. Portanto: vai dar o jogo, sábado, às oito da noite.
Situação paralela: eu tenho um convite para jantar mais a minha senhora e três outros casais amigos. É daqueles jantares que prometem bom convívio, bom prato e bom vinho, muita conversa, trocas de ideias, apresentações públicas de tremendos projectos para o futuro, elogios mútuos, uísque velho, boa sobremesa e, havendo juízo, uma saída louca até às duas da manhã ou mais. Uma jantarada!
«Quando é que é mesmo o jantar, xuxu?»
«Sábado, fofinho. Sábado, às oito e meia.»
«Opá, que aborrecido… Não posso, minha flor. Já tinha combinado umas coisas…»
«Coisas?! Que coisas?! Diego Armés, Diego Armés… é a um sábado… e o Benfica joga no domingo, que eu sei muito bem e até disse logo à Luísa “tu não marques para domingo senão o Diego diz logo que não vai”… Portanto, o que é que tu tens de tão importante para fazer sábado à hora do jantar que te impede de aceitar o convite?»
«É o… bom, é o… zbôd – pürt…»
«Desculpa?»
«zbôd – pürt»
«Ahn? Fala como um homem, que assim não te percebo!»
«É o SPORTING – PORTO».
Longo silêncio. Decidida saída feminina em direcção à cozinha. Água a correr. Pratos são lavados com muita energia.
Nesta altura, o narrador-protagonista suspendeu a respiração e está profundamente estático, imóvel, de olhar fixo no vazio, esperando que o tempo passe até que…
«Tu explicas-me, hum? Explicas-me? Explicas-me como é tu, Benfiquista»
«Amor, acho que a água ficou a correr»
«Eu quero que a água se lixe! Como é que tu, um Benfiquista que só vê é o Benfica à frente, faz planos – planos ah-ah, espera, planos imutáveis! Não se toque nos planos do menino! – como é que me fazes planos para ver a merda de um jogo entre duas equipas que tu odeias? Como? Explicas-me?»
«Eu… é que…»
«Fica sabendo que eu vou a esse jantar! Não queres vir não vens.»
Saída com andar no imperativo. Os mesmos pratos são novamente lavados, agora com mais energia.
Caro Here Comes the Rain: na verdade, há coisas que não têm explicação. São assim simplesmente porque são assim. Não trazem nada de bom às nossas vidas, acrescentam apenas aborrecimentos, rancores e energias negativas. Mas não conseguimos passar sem elas.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Queiram desculpar, este homem dá-me nervos
Senhor Eduardo Barroso,
não belisco, nem por sombras, os méritos e talentos que terá na sua profissão, que não é para aqui chamada, e, por isso mesmo, não o trato por "doutor" - até porque felizmente não me dirijo a si na qualidade de paciente; pelo contrário: dirijo-me sem paciência à sua falta de qualidade. Para começar, o senhor Barroso tem uma escrita medíocre que dói, chata, aborrecida, sentimentalóide, lamechas e desenxabida. Ainda assim, pagam-lhe para que escreva e, como se não bastasse, publicam-no. Pelos vistos, há tanta gente com sorte quanto pessoas com falta de critérios.
Vem o senhor, semana após semana, queixando-se disto e daquilo e do outro, páginas e páginas e páginas de queixas e queixas e queixas e lamentos. Tentando auxiliá-lo, vou analisar aqui os seus sintomas: o senhor é moralmente hipocondríaco e sportinguistamente incontinente. Cura não tem, mas, com o acompanhamento devido, poderá ter melhoras. Para começar, recomendo um afastamento rigoroso das actividades da escrita.
Senhor Barroso, entenda: isto não é revolta. É fadiga. Cansa-me lê-lo e saber precisamente o que vai dizer, qual será a acusação seguinte, o queixume futuro, a suspeita que se avizinha. É, portanto, sem espanto mas com fastio, que leio a suspeita suja que levanta acerca do Benfica e da compra desse monstro do futebol mundial, o tal Djanini que, aparentemente, jogava nas competitivas distritais da Ilha Terceira. Adivinhava-se a perfídia e aí está ela. Pouco importa que o melhor dos leirienses naquela espécie de campo tenha sido precisamente esse jogador que o Benfica comprou; de nada vale que tenhamos demonstrado de modo inquestionável o quão melhores somos do que o nosso - honrado! - adversário. O Benfica comprou o Djanini e foi esse o único aspecto que lhe ficou na retina. Talvez o resultado lhe tenha escapado: ficou 4 a 0 para nós. E foram quatro golaços, daqueles que a sua equipa, acredite, teria dificuldade em marcar.
Se a djaninice era previsível, o chorinho da arbitragem, esse eterno choro, seria obrigatório. E o Eduardo não se furta às obrigações: considera o senhor, com o maior dos desplantes e a moralidade que lhe reconheço, que um fora-de-jogo mal tirado ao Sporting impediu que o Elias, esse mesmo que tem a pontaria de um Postiga, seguisse isolado nos 35 ou 40 metros que faltavam para a baliza da comadre portista. Sublinha o senhor que "pode ter sido um erro de arbitragem com directa interferência no resultado". Sejamos claros: quando se protesta, um gajo tem de assumir - ou é ou não é. Essa merda do "pode ter sido" é cobarde. Perdoe-me o registo carroceiro, mas sou assim mesmo quando me enervo e o senhor enerva-me com frequência. Portanto, em que ficamos? Foi ou não um erro com interferência directa no resultado?
E agora, já que estamos moralistas e com a mão na massa, não quer o senhor Barroso dar-me a sua opinião acerca daquele lance em que o Elias - o mesmíssimo Elias - empurra ostensivamente o Otamendi em plena área do Sporting, com o portista no ar? "Poderá ter sido" um erro de arbitragem com influência no resultado ou poderá não ter passado apenas de impressão minha?
Tenha vergonha. E, sobretudo, tenha dó. Não terá mais o que fazer do que escrever, e mal, com moralismos de pacotilha, com frases de meias insinuações, textos que revelam a espinha dorsal do lagarto que tão sentimentalmente é?
Enervadamente,
Diego
Ó senhores d'A Bola, mas não se pode despedi-lo? Porquê? Se querem um sportinguista, contratem o Bulhão Pato, pá!É que este homem é uma nódoa.
não belisco, nem por sombras, os méritos e talentos que terá na sua profissão, que não é para aqui chamada, e, por isso mesmo, não o trato por "doutor" - até porque felizmente não me dirijo a si na qualidade de paciente; pelo contrário: dirijo-me sem paciência à sua falta de qualidade. Para começar, o senhor Barroso tem uma escrita medíocre que dói, chata, aborrecida, sentimentalóide, lamechas e desenxabida. Ainda assim, pagam-lhe para que escreva e, como se não bastasse, publicam-no. Pelos vistos, há tanta gente com sorte quanto pessoas com falta de critérios.
Vem o senhor, semana após semana, queixando-se disto e daquilo e do outro, páginas e páginas e páginas de queixas e queixas e queixas e lamentos. Tentando auxiliá-lo, vou analisar aqui os seus sintomas: o senhor é moralmente hipocondríaco e sportinguistamente incontinente. Cura não tem, mas, com o acompanhamento devido, poderá ter melhoras. Para começar, recomendo um afastamento rigoroso das actividades da escrita.
Senhor Barroso, entenda: isto não é revolta. É fadiga. Cansa-me lê-lo e saber precisamente o que vai dizer, qual será a acusação seguinte, o queixume futuro, a suspeita que se avizinha. É, portanto, sem espanto mas com fastio, que leio a suspeita suja que levanta acerca do Benfica e da compra desse monstro do futebol mundial, o tal Djanini que, aparentemente, jogava nas competitivas distritais da Ilha Terceira. Adivinhava-se a perfídia e aí está ela. Pouco importa que o melhor dos leirienses naquela espécie de campo tenha sido precisamente esse jogador que o Benfica comprou; de nada vale que tenhamos demonstrado de modo inquestionável o quão melhores somos do que o nosso - honrado! - adversário. O Benfica comprou o Djanini e foi esse o único aspecto que lhe ficou na retina. Talvez o resultado lhe tenha escapado: ficou 4 a 0 para nós. E foram quatro golaços, daqueles que a sua equipa, acredite, teria dificuldade em marcar.
Se a djaninice era previsível, o chorinho da arbitragem, esse eterno choro, seria obrigatório. E o Eduardo não se furta às obrigações: considera o senhor, com o maior dos desplantes e a moralidade que lhe reconheço, que um fora-de-jogo mal tirado ao Sporting impediu que o Elias, esse mesmo que tem a pontaria de um Postiga, seguisse isolado nos 35 ou 40 metros que faltavam para a baliza da comadre portista. Sublinha o senhor que "pode ter sido um erro de arbitragem com directa interferência no resultado". Sejamos claros: quando se protesta, um gajo tem de assumir - ou é ou não é. Essa merda do "pode ter sido" é cobarde. Perdoe-me o registo carroceiro, mas sou assim mesmo quando me enervo e o senhor enerva-me com frequência. Portanto, em que ficamos? Foi ou não um erro com interferência directa no resultado?
E agora, já que estamos moralistas e com a mão na massa, não quer o senhor Barroso dar-me a sua opinião acerca daquele lance em que o Elias - o mesmíssimo Elias - empurra ostensivamente o Otamendi em plena área do Sporting, com o portista no ar? "Poderá ter sido" um erro de arbitragem com influência no resultado ou poderá não ter passado apenas de impressão minha?
Tenha vergonha. E, sobretudo, tenha dó. Não terá mais o que fazer do que escrever, e mal, com moralismos de pacotilha, com frases de meias insinuações, textos que revelam a espinha dorsal do lagarto que tão sentimentalmente é?
Enervadamente,
Diego
Ó senhores d'A Bola, mas não se pode despedi-lo? Porquê? Se querem um sportinguista, contratem o Bulhão Pato, pá!É que este homem é uma nódoa.
Conversa de sócios
eu: olha e leste o meu sonho de inverno?
não leste...
191036: claro que li
foi espectacular
e prometo que, mesmo que estejas em coma, eu vou lá dizer-te como é que o Benfica se anda a portar
para não andares aí pela rua sem saber às quantas andas
Enviado às 16:13 de Quarta-feira
eu: acho bem
191036: eu acredito que se a gente falar com as pessoas em coma, elas ouvem
juro que ia lá dizer-te tudo
eu: se eu algum dia ficar em coma - promete-me isto, ouviste? -, leva-me os No Name à beira da minha cama
e mete-os a cantar "oooooooooóóó Sport Lisboa... e Benfica... o CAMPEÃÃÃO"
191036: só conheço quatro, mas levo esses
eu: se eu não reagir, desliga as máquinas, não vale a pena gastar luz
191036: combinado
e queres com o instrumental reggae por trás ou só os hooligans a capela?
eu: não é reggae, é ska!
não leste...
191036: claro que li
foi espectacular
e prometo que, mesmo que estejas em coma, eu vou lá dizer-te como é que o Benfica se anda a portar
para não andares aí pela rua sem saber às quantas andas
Enviado às 16:13 de Quarta-feira
eu: acho bem
191036: eu acredito que se a gente falar com as pessoas em coma, elas ouvem
juro que ia lá dizer-te tudo
eu: se eu algum dia ficar em coma - promete-me isto, ouviste? -, leva-me os No Name à beira da minha cama
e mete-os a cantar "oooooooooóóó Sport Lisboa... e Benfica... o CAMPEÃÃÃO"
191036: só conheço quatro, mas levo esses
eu: se eu não reagir, desliga as máquinas, não vale a pena gastar luz
191036: combinado
e queres com o instrumental reggae por trás ou só os hooligans a capela?
eu: não é reggae, é ska!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Sonho de uma noite de Inverno
Foi o melhor sonho que eu tive, de todos os que me lembro. E sonhei-o mesmo, não digo isto para entreter o leitor. E não foi sonho de sonhar acordado – que isso já o sonhei muitas outras vezes e sonho-o sempre que posso. Não. Desta vez, foi sonho de sonho, não é oratória Luther King style. Foi como quando se sonha que se está a voar ou que se está a cair (ou, se o leitor for mais jovem, que se está a mexer em maminhas). Parecia tudo verdade. Naquele momento, foi mesmo tudo verdade.
Eu ia na rua, ia pelo Chiado, e a cidade estava vazia. Eu estranhei porque ia ignorante nesse dia. Ou então alheado ou então tinha estado em coma. Tanto faz. Os sonhos não carecem de explicações, são narrativas libertárias. Não sabia o que se passava e estranhei a letargia no lugar do bulício. Entrei na Brasileira e tudo era silêncio. Silêncio e atenção a qualquer coisa difícil de distinguir. Olhei: era o futebol.
Lá ao fundo, num ecrã gigante, o Benfica jogava contra a Juventus. E eu perguntei “que jogo é este?” e o empregado “é a final da Taça dos Campeões”. Pedi uma cerveja e pensei “mas ainda nem jogámos os quartos-de-final nem as meias-finais…” e o empregado, antecipando-me os pensamentos, reagiu com indignação “nem foi preciso, então…?!”.
Estupefacção. A minha euforia diluía-se-me na surpresa, no espanto, na desorientação. Toda a minha atenção era pouca, toda a minha percepção era escassa, todo o meu pensamento era pobre: eu não entendia, não conseguia conceber, abarcando tudo, aquilo que ali se passava, ali na televisão, ali na Brasileira, no Chiado, naquele estádio cheio, na cidade vazia. Eu era um Benfiquista perdido e o Benfica estava a ganhar. Eu era de um pesadelo e estava a viver um sonho – o pesadelo era a minha ignorância, a minha incapacidade para perceber. Para perceber aquilo tudo que era maravilhoso.
“Quanto está?”, “olhe, com este, são seis” e gritaram golo outra vez “só mais um, só mais um, só mais um” e eu gritei também.
O jogo ainda não tinha acabado e eu fui à tabacaria comprar os jornais desportivos todos – Record, O Jogo e A Bola – e também o Público. Já eram todos do dia seguinte e diziam todos que o Benfica era campeão da Europa, “O Campeão da Europa é o Benfica!!!” e eu gritei e chorei, porque era verdade, era tudo verdade, finalmente, finalmente, finalmente. Quis abraçar aquilo tudo, Lisboa toda, a Europa inteira, mas os meus braços eram tão pequeninos. Saí para a rua com todos os jornais do dia seguinte debaixo do braço, andei perdido, aos tombos, aos saltos, de gatas, fui ao Marquês e fui ao Rato e fui ao Rossio e os Benfiquistas festejavam e eu festejava com tudo de mim e tudo de mim parecia muito pouco, muito poucochinho, e eu sentia fraqueza, impotência “por que é que eu só consigo festejar isto? Por que é que eu não dou mais? Porquê?” e tentei, tentei, tentei, esforcei-me por festejar o mais que podia, tudo, dei tudo, gritei tudo e chorei tudo e gastei o meu ar e caí, exausto, esvaído, inconsciente, feliz, talvez mesmo morto: justa e completamente morto.
Eu ia na rua, ia pelo Chiado, e a cidade estava vazia. Eu estranhei porque ia ignorante nesse dia. Ou então alheado ou então tinha estado em coma. Tanto faz. Os sonhos não carecem de explicações, são narrativas libertárias. Não sabia o que se passava e estranhei a letargia no lugar do bulício. Entrei na Brasileira e tudo era silêncio. Silêncio e atenção a qualquer coisa difícil de distinguir. Olhei: era o futebol.
Lá ao fundo, num ecrã gigante, o Benfica jogava contra a Juventus. E eu perguntei “que jogo é este?” e o empregado “é a final da Taça dos Campeões”. Pedi uma cerveja e pensei “mas ainda nem jogámos os quartos-de-final nem as meias-finais…” e o empregado, antecipando-me os pensamentos, reagiu com indignação “nem foi preciso, então…?!”.
Estupefacção. A minha euforia diluía-se-me na surpresa, no espanto, na desorientação. Toda a minha atenção era pouca, toda a minha percepção era escassa, todo o meu pensamento era pobre: eu não entendia, não conseguia conceber, abarcando tudo, aquilo que ali se passava, ali na televisão, ali na Brasileira, no Chiado, naquele estádio cheio, na cidade vazia. Eu era um Benfiquista perdido e o Benfica estava a ganhar. Eu era de um pesadelo e estava a viver um sonho – o pesadelo era a minha ignorância, a minha incapacidade para perceber. Para perceber aquilo tudo que era maravilhoso.
“Quanto está?”, “olhe, com este, são seis” e gritaram golo outra vez “só mais um, só mais um, só mais um” e eu gritei também.
O jogo ainda não tinha acabado e eu fui à tabacaria comprar os jornais desportivos todos – Record, O Jogo e A Bola – e também o Público. Já eram todos do dia seguinte e diziam todos que o Benfica era campeão da Europa, “O Campeão da Europa é o Benfica!!!” e eu gritei e chorei, porque era verdade, era tudo verdade, finalmente, finalmente, finalmente. Quis abraçar aquilo tudo, Lisboa toda, a Europa inteira, mas os meus braços eram tão pequeninos. Saí para a rua com todos os jornais do dia seguinte debaixo do braço, andei perdido, aos tombos, aos saltos, de gatas, fui ao Marquês e fui ao Rato e fui ao Rossio e os Benfiquistas festejavam e eu festejava com tudo de mim e tudo de mim parecia muito pouco, muito poucochinho, e eu sentia fraqueza, impotência “por que é que eu só consigo festejar isto? Por que é que eu não dou mais? Porquê?” e tentei, tentei, tentei, esforcei-me por festejar o mais que podia, tudo, dei tudo, gritei tudo e chorei tudo e gastei o meu ar e caí, exausto, esvaído, inconsciente, feliz, talvez mesmo morto: justa e completamente morto.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Esplendoroso sol de campeão
Saímos de Lisboa estava aquele sol de bronze dos nossos invernos. Não sei se outros sítios do mundo possuem, em Janeiro, um sol assim: castanho e suave, a embeber as coisas, fazendo-as brilhar com suavidade, sem histerismos. Mais tarde vim a pensar: “eis o esplendoroso sol de campeão”. Nestas alturas, pensamos em muitas coisas. Melhor: pensamos nessas coisas e não as censuramos. Tudo o que, em pensamento, é potencialmente disparatado ou sem jeito passa a ser justificado. A lua estava cheia - “para iluminar a liderança” -, a noite foi das mais frias – “revelando a têmpera do primeiro de todos” -, o sol todo ele era esplêndido – “o esplendoroso sol do campeão”. E, neste momento, tudo faz sentido, nada disto é mentira ou exagero. Há um dia em que todo o cosmos se alinha e se corrige, reencontrando o caminho da justiça. E esse dia foi ontem. Hoje é o primeiro dia da continuação.
Havíamos visto o duelo infame da noite anterior e o sentimento era generalizado: que injustiça! Como pode o Benfica não ser o primeiro deste campeonato – e destacado?! Digo-o sem pudores: há uma diferença muito grande entre este Benfica e os seus rivais mais próximos. O futebol que Um e outros jogam não merece traduzir-se em pontuações tão aproximadas. Enquanto o Benfica gere 90 minutos alternando classe e luxo com algumas cautelas e esforço moderado, os outros dois dão a sensação de que perdem quilos e quilos em campo para conseguirem um miserável e feio empate sem golos. Atenção: se há coisa que aprecio é o esforço e a abnegação dos jogadores, o espírito combativo em busca do resultado – não me entendam mal. Mas dá gosto perceber que o Benfica só precisa de entrar nesse registo se tudo – mas tudo – correr muito mal, porque até lá haverá charme e elegância de sobra para se ganhar jogos como se se desse lições de etiqueta.
Tal como este sol que me é dado pelo nosso Inverno, o regozijo e a satisfação que o Benfica me oferece não são histéricos. São, sobretudo, belos. Mas o espectáculo sobre a relva é ainda mais que isso: é prático e glamouroso, revigorante e concentrado. Há muito futebol neste Benfica, futebol de topo. E não falo da ilusão que foi 2009-2010 – degrau necessário na ascensão à excelência, talvez, mas ainda uma obra com demasiadas imperfeições. Falo de uma equipa amadurecida que soube transitar da vertigem do “rolo compressor” para a sumptuosidade sádica de quem sabe o quanto é valioso e pode ser letal. Há malvadez nesta equipa – para além de talentosos, eles são pacientes e eles são calculistas. Fazem questão de deixar que o adversário se iluda, que julgue, ingenuamente, poder discutir o resultado. E, depois, mostram-lhe que, afinal, não, não é bem assim. Segue-se, normalmente, um período de destruição pura – e, porém, nada sôfrega (isso eram hábitos de antigamente).
Hoje, um jogo do Benfica já não é só “para ganhar”; o momento deve ser aproveitado para que se demonstrem superioridade e nobreza. É um futebol snob, sim. Mas de uma aristocracia plenamente habilitada – e sobretudo poderosa.
Havíamos visto o duelo infame da noite anterior e o sentimento era generalizado: que injustiça! Como pode o Benfica não ser o primeiro deste campeonato – e destacado?! Digo-o sem pudores: há uma diferença muito grande entre este Benfica e os seus rivais mais próximos. O futebol que Um e outros jogam não merece traduzir-se em pontuações tão aproximadas. Enquanto o Benfica gere 90 minutos alternando classe e luxo com algumas cautelas e esforço moderado, os outros dois dão a sensação de que perdem quilos e quilos em campo para conseguirem um miserável e feio empate sem golos. Atenção: se há coisa que aprecio é o esforço e a abnegação dos jogadores, o espírito combativo em busca do resultado – não me entendam mal. Mas dá gosto perceber que o Benfica só precisa de entrar nesse registo se tudo – mas tudo – correr muito mal, porque até lá haverá charme e elegância de sobra para se ganhar jogos como se se desse lições de etiqueta.
Tal como este sol que me é dado pelo nosso Inverno, o regozijo e a satisfação que o Benfica me oferece não são histéricos. São, sobretudo, belos. Mas o espectáculo sobre a relva é ainda mais que isso: é prático e glamouroso, revigorante e concentrado. Há muito futebol neste Benfica, futebol de topo. E não falo da ilusão que foi 2009-2010 – degrau necessário na ascensão à excelência, talvez, mas ainda uma obra com demasiadas imperfeições. Falo de uma equipa amadurecida que soube transitar da vertigem do “rolo compressor” para a sumptuosidade sádica de quem sabe o quanto é valioso e pode ser letal. Há malvadez nesta equipa – para além de talentosos, eles são pacientes e eles são calculistas. Fazem questão de deixar que o adversário se iluda, que julgue, ingenuamente, poder discutir o resultado. E, depois, mostram-lhe que, afinal, não, não é bem assim. Segue-se, normalmente, um período de destruição pura – e, porém, nada sôfrega (isso eram hábitos de antigamente).
Hoje, um jogo do Benfica já não é só “para ganhar”; o momento deve ser aproveitado para que se demonstrem superioridade e nobreza. É um futebol snob, sim. Mas de uma aristocracia plenamente habilitada – e sobretudo poderosa.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
De pé direito em 2012
O Eterno Benfica deu prémios, distribuiu distinções. Se estou a falar no assunto, não há-de ser por acaso, como é evidente. Estamos numa altura do ano em que se pratica muito o dar e o receber e eu sei que tenho dado muito pouco e agora chego aqui e só porque a hora é de encher o ego escrevo um texto... A vida é assim mesmo, aceitam-no e adaptem-se.
Há quem lide mal com elogios e distinções, homenagens e celebrações em sua honra. Não é o meu caso, estejam à-vontade, estarei sempre disponível. Se podemos discutir os critérios do Eterno Benfica? Não, infelizmente estou a escrever com alguma pressa, terá de ficar para uma futura ocasião.
Neste post, atribuem a este blogue o Óscar de "Revelação 2011". Quem diria? Um blogue que se chama números... Além disto, ainda acrescentam uma nomeação para "Melhor Blogger" a todo staff do 227218. Falo por mim presumindo que toda a equipa sente o mesmo: estamos orgulhosos.
Só há uma coisa a fazer com este tipo de elogios: aceitá-los despudoradamente. São gentilezas, mimos para o ego. Foi uma bonita maneira de entrar em 2012, podem crer.
Posto isto, aproveito a data e aqui deixo os tradicionais desejos de Ano Novo: Benfica campeão europeu e Cardozo bota de ouro.
Há quem lide mal com elogios e distinções, homenagens e celebrações em sua honra. Não é o meu caso, estejam à-vontade, estarei sempre disponível. Se podemos discutir os critérios do Eterno Benfica? Não, infelizmente estou a escrever com alguma pressa, terá de ficar para uma futura ocasião.
Neste post, atribuem a este blogue o Óscar de "Revelação 2011". Quem diria? Um blogue que se chama números... Além disto, ainda acrescentam uma nomeação para "Melhor Blogger" a todo staff do 227218. Falo por mim presumindo que toda a equipa sente o mesmo: estamos orgulhosos.
Só há uma coisa a fazer com este tipo de elogios: aceitá-los despudoradamente. São gentilezas, mimos para o ego. Foi uma bonita maneira de entrar em 2012, podem crer.
Posto isto, aproveito a data e aqui deixo os tradicionais desejos de Ano Novo: Benfica campeão europeu e Cardozo bota de ouro.
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