terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Okapi, Ka-píi

Fez ontem quatro anos que recebi a notícia da morte da minha cadela Okapi, também – ou mais – conhecida por “ka-píi”. Não me recordaria da data se não fosse o meu irmão a lembrar-se e, singela mas sentidamente, lembrar-nos a todos com uma simples frase no facebook.

É natural que tenha sido o meu irmão a lembrar-se. Okapi nunca foi uma cadela verdadeiramente “minha” e, com o tempo, tornou-se absolutamente do meu irmão. Tínhamos uma relação estranha e distante, mas havia amor entre nós. Víamo-nos uma, duas vezes por mês. Apesar da distância e de ter sido, desde sempre, uma enormíssima vagabunda sem vergonha, eu conseguia passeá-la tranquilamente e sem recurso a trela – coisa que não pode dizer-se do comum dos mortais, sobretudo se houvesse gatos, motas, bêbados ou tractores por perto (nunca consegui descobrir a característica comum a todos os seus ódios). O certo é que me mostrava obediência, não sob a forma amestrada mas antes, estou em crer, como demonstração de gratidão.

Ka-píi era uma cadela da rua que bebia das sarjetas e comia do lixo. Magra, fraca, de orelhas para trás da cabeça, olhava as pessoas com olhos de súplica, com expressão de pedinte que quer e vai lacerar-nos o coração. Há 16 anos atrás, tal como hoje, eu tentava manter os sentimentos em ordem e, por isso, desviava o olhar e pensava em coisas boas. Não dava para ignorar que a tristeza existe, mas evitava a perigosa queda no sentimento que nos oblitera a razão (e isto é-me hoje fundamental, quando vivo paredes meias com Santa Apolónia, acreditem em mim).

Um dia, Ka-píi seguiu-me até casa e não arredou pé e eu não resisti: na minha imensa bondade, ensopei três carcaças com 6 dias em água da torneira e servi-as num alguidar. O manjar não lhe sobreviveu dois minutos e então ofereci-lhe ainda uma taça de leite. Sorveu com a sofreguidão de quem não sabe se voltará a comer no dia seguinte ou mais alguma vez em toda a sua vida. Depois disso, enxotei-a. Não queria um cão, estava bem como estava, sozinho e adolescente; e, depois, não queria AQUELE cão, escanzelado, sofrido, esfolado e submisso e, ao mesmo tempo, chato, a ladrar e a correr atrás das motas...

No dia seguinte voltou. Dois meses depois, dormia no sofá lá de casa (“não quero cães cá em casa!” dizia o meu pai duas semanas antes de a deixar adormecer no seu colo, frente à televisão) e 11 anos passados era bem mais “da casa” do que eu próprio – companheira dos meus pais, fiel amiga do meu irmão, condessa territorial mais que legítima, patroa de refeições e feroz opositora de qualquer companhia feminina de qualquer um de nós irmãos, Ka-píi ganhou estatuto. Estatuto e peso – de lingrinhas capaz de abalar com o vento, transformou-se num batoque de generosas proporções: um cão vagabundo será sempre um cão vagabundo; pode comer em casa, mas nunca, nunca esquece o seu percurso de alimentação alternativa. Tal como o gato escaldado que de água fria tem medo, um cão uma vez esfomeado será sôfrego uma vida inteira, nem que seja por precaução.

Ontem, quando recordei Ka-píi, lembrei-me de como eu gostava dela e a admirava, aquela cachorra snob embora rude, astuta, refilona e prepotente e lânguida o bastante para saber como levar-nos à certa, na altura ideal. Uma cadela de eleição no corpo e na pele de uma vira-lata! E depois pensei: como seria ter outro cão agora? Certamente, iria gostar dele e educá-lo e fazer as cedências e as exigências de que uma relação cino-familiar necessita. Mas não seria a mesma coisa. Nunca mais será a mesma coisa.

E ia pensando nisto enquanto estendia a roupa, no intervalo de uma conversa com dois distintos blógueres “da cor” quando, quase por milagre e para justificar a inclusão deste post neste blogue, me lembrei de fazer uma inesperada analogia com Jorge Jesus no Benfica. O Benfica é a minha casa, Jesus é a Ka-píi. Salvo seja, isto é sem maldade.

Jesus era o vira-lata que eu desprezava e que eu gozava quando o ouvia na TV, treinava ele o Belenenses e outros menores. Da primeira vez que se falou da sua possível vinda para o Benfica (na pré-época de Quique), ri-me. Mas ri-me muito. Quando, um ano mais tarde, a conversa foi mais séria, não quis acreditar. O Benfica não podia ter um treinador “daqueles”, um bruto, um bronco, sem nível, sem educação, sem conseguir fazer concordar um sujeito com um predicado numa frase simples. Autistamente, recusei a ideia.

Mas Jesus foi ficando. E foi ganhando. E foi fazendo asneiras. E foi ganhando mais e foi fazendo mais asneiras. E foi perdendo. E eu senti compaixão por ele. E depois recuperou e esforçou-se e tentou ser melhor. E eu fui-me identificando com o Benfica dele. E o Benfica foi tendo uma identidade e foi ele que a construiu. E hoje, quase três anos depois, Jesus faz parte do Benfica. Deste Benfica. É curioso que a entidade que a todos une seja tão maleável a quem a marca, em determinada era: o Benfica de Eusébio, o Benfica de Eriksson, o Benfica de Artur Jorge, o Benfica de Simão. O Benfica de Jesus.

Esta reflexão despretensiosa e, muito provavelmente, inconclusiva é uma singela homenagem a estas figuras que, na vida quotidiana e no futebol, marcam a nossa existência e a nossa forma de estar. Mesmo que as recusemos, se elas vierem para ficar, ficam mesmo. E acabamos por adoptá-las e por ficar confusos quando imaginamos o nosso mundo sem elas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Reset

G.K. Chesterton, n' O Homem Que Era Quinta-feira, aludia às inúmeras possibilidades que existem no decorrer de uma viagem de metro, desde que se entra na carruagem até que se sai dela: apesar de tomarmos como certo e seguro que, entrando em Santa Apolónia, sairemos no Alto dos Moinhos a tempo de tomar uma cerveja, fumar um cigarro e dar dois dedos de conversa antes de entrarmos no Estádio, existe, na verdade, uma série praticamente infinita de outras possibilidades plausíveis que nunca levamos em consideração. Por exemplo, um amigo ligar-nos a dizer que "epá olha, estou no Colombo", altera o plano inicial: não saímos no Alto dos Moinhos, afinal; saímos na estação seguinte. Se quisermos um exemplo mais dramático, uma falha de electricidade pode fazer com que o comboio pare entre São Sebastião e a Praça de Espanha, o que fará com que nos atrasemos uns bons 40 minutos. No capítulo da tragédia mais à séria, tenhamos sempre presente o dia 1 de Novembro de 1755 e a possibilidade permanente de se ter que adiar um jogo por falta de Estádio. Há, portanto, todo um universo complexo por acontecer de cada vez que sucede precisamente o evento esperado, eliminando todas as outras possibilidades. Rejubilemos, então, de cada vez que esse evento corresponde à nossa expectativa, valorizemos o cumprimento de cada pequeno plano.

Edward Murphy, mais radical, declarou, peremptória mas não originalmente, que "o que pode correr mal, acaba, eventualmente, por correr mal". Não existe concordância entre as mensagens de Chesterton e de Murphy, mas existe complementaridade. O que o primeiro encara como possibilidade, o segundo sublinha como fatalidade - "pode não ser hoje, mas um dia..." Todos sabemos que, mais cedo ou mais tarde, o Adalberto Gilberto Norberto Roberto nos vai ligar a dizer que passou primeiro no Colombo.

Hoje, desde que acordei - e eu acordei cinco pontos mais cedo do que todos os portistas -, tenho tido estes pensamentos, estes nomes, Chesterton e Murphy, Murphy e Chesterton, a possibilidade e a fatalidade, coisas indistintas e sem forma, como visões sem rumo, a pairar-me sobre as ideias, dentro das ideias, antes e depois das ideias. Preocupado como sou, preocupei-me com naturalidade: "queres ver, Diego, que é um sinal de maldição e a gente ainda perde isto?".

Acontece que em matéria de futurologia e de superstição sou um tipo bastante científico. E então dei por mim a interpretar metodicamente estas mensagens encriptadas que o subconsciente, bem mais perspicaz do que eu próprio, me foi enviando. A verdade, supondo que só existe uma, é que a minha preocupação era umbiguista, diegocêntrica.

Eis que, com o decorrer das horas e após a ingestão de dois cafés, abri a mente: Chesterton e Murphy, Murphy e Chesterton, na minha cabeça, falavam afinal do Porto - mas com John Mortimore.

domingo, 29 de janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sabedoria alternativa

- Que elaboras, Pequeno Vermelho?
- Master, não te ouvi entrar...
- Porque me movo como a brisa primaveril.
- Aprofundo sonhos, Master. Elaboro pensamentos.
- Fazes desenhos...
- Bom, não são bem desenhos.
- Rabiscos.
- Não, Master... são... tácticas.
- Ah, tácticas. Tácticas é bom.
- São tácticas alternativas.
- Alternativo também é bom. Está muito na moda. E é alternativo a quê?
- Bom, eu... No último jogo, eu vi Aimar começar no banco.
- Todos o vimos. Todos o vimos, Pequeno Vermelho...
- E até me fez sentido, no momento.
- Porém...
- Porém, depois vi Aimar entrar em campo e jogar e ganhar o jogo com delícia.
- Todos nos deliciámos, Pequeno Vermelho.
- Pois foi. E, mais tarde li o teu magnífico texto sobre Aimar.
- Sou modesto e aceito o teu elogio com humildade.
- Pois, eu sei que és, Master. E é contigo que aprendo. Mas dizia que li o teu texto e uma luz se acendeu em mim: a luz do problema. Porque, como tu dizes, "o problema é
- a luz que alumia o conhecimento", sim Pequeno Vermelho.
- Problematizei: se é de universal injustiça ou até mesmo ofensa iniciar um jogo com Aimar no banco, como fazer para incluí-lo numa equipa em grande forma, sendo que não existe a possibilidade de alinhar com 12?
- A tua pergunta é inteligente.
- Javi é a fundação do meio-campo, Witsel o seu dínamo e pulmão; Bruno César é arte e surpresa, Nolito é determinação e rasgo; Rodrigo é um puro sangue letal. E Cardozo...
- Cardozo é quem nos faz os golos. Quem tirarias tu de entre estes, Pequeno Vermelho?
- Ponderei, Master querido. Não obtive resultados. E então meditei.
- O teu processo é irrepreensível!
- Foi em ti que observei o método.
- E que te disseram os pensamentos que o Cosmos te ofereceu?
- Disseram-me que a minha questão não era certeira.
- Como assim?
- Sim, assim mesmo. E que, num conjunto, só se deve emendar as fraquezas, nunca as forças.
- Faz sentido. Mas onde está então a fraqueza? Se não existe, deverá Aimar permanecer no banco?
- Não, Master querido. Eu, ingénuo, busquei a fraqueza onde ela não existia, esse foi o meu erro. Fui preconceituoso. Voltei a ponderar. E perguntei-me "se a fraqueza não está aqui, no sítio em que a procuro, onde poderá ela estar?".
- Ah, espera... espera... dá-me sete segundos de pensamento. Espera... já sei: o Emerson! Claro, o Emerson!
- O teu brilho fascina-me, Master.
- Mostra-me os teus desenhos.
- São tácticas.
- Mostra-me as tuas tácticas.





- O meu espanto e admiração por ti são crescentes, Pequeno Vermelho.
- Ruboresço de embaraço e também de orgulho.
- Que clarividência! Que audácia! Que maturidade! Que idade tens, Pequeno Vermelho?
- Se penso no que sei, sou imberbe e ignorante. Mas quando questiono o que é tomado como óbvio, sinto-me velho como o Universo.
- ... Esta semana não vemos mais o Karaté Kid.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Manual do bloguer de bola - versão muito resumida

Por vezes, chegam a estas caixas de comentários mensagens do género:

«Gosto muito do vosso blogue e estou a começar o meu, o euseimaisdeboladoqueofreitaslobo.blogspot.com, e gostava que incluíssem o link na vossa barra lateral. Se o fizerem, eu retribuo

Não percebo grande coisa da dinâmica da blogosfera nem sei como potenciar a leitura massiva de um blogue. Prova do que digo é que raramente passo dos 400 leitores por dia. Para terem uma ideia do quanto o número é ridículo, a Marta Rebelo, por cada crónica, chega tranquilamente aos 800 mil leitores - e só dois é que gostam dela. No entanto, sei outras coisas que podem ser úteis para o bloguer que inicia funções. Pode não fazer dele a nova Marta Rebelo. Mas apresenta outras vantagens, nomeadamente para mim.
Se não se importam, vou organizar isto numa lista. E pôr números nos tópicos. Eu gosto de números e tópicos, dá um ar técnico à cena. Gosto mesmo disso. Portanto:

1) As boas maneiras.

Este tópico é generalista, já que o tema abrange todo o convívio entre humanos. Imaginando a blogosfera futebolística como uma comunidade, as boas maneiras são sempre bem-vindas. Assim, caro bloguer, ao invés de me propores algo que eu não te pedi e que posso dispensar com a maior das indiferenças, sobretudo depois de ter lido a mesma proposta em 57 outros blogues de futebol que frequento sem que tivesse existido sequer a preocupação com a concordância entre o número a que aponta a tua mensagem e a quantidade de pessoas que escreve neste blogue (lamento, sou só um…), por que não uma demonstração de cortesia da tua parte? Ser cortês fica bem até numa reunião entre o Pinto da Costa e um dirigente da arbitragem, o YouTube não me deixa mentir. Assim, sugiro que deixes de parte esse esforço inglório de palmilhar blogues e blogues, de copy-paste em copy-paste, a ser chato, a ser incómodo e a ser ignorado, e canalizes a tua energia para uma coisa muito mais simples: linka os blogues de que verdadeiramente gostas. É simpático e será uma questão de dias até que os administradores desses blogues se apercebam da tua gentileza. Quando o fizerem, visitar-te-ão e, te garanto, se gostarem do que lerem, serás justamente retribuído.

2) A intervenção pública.

Tens muitas coisas para dizer, pois tens, aliás, foi isso que te levou a fundar um blogue só teu: tens uma opinião muito própria, extremamente própria, e achas que ela importa realmente. És jovem, tens vigor, sabes coisas e a ti ninguém te manipula, não senhor, tu és independente! Pois bem, nada como mostrá-lo ao mundo. Mas calma: o passo não deve ser maior do que a perna. Assim, antes de iniciares a produção daquilo que será a futura enciclopédia do futebol pós-moderno e vanguardista – e para que não a escrevas sem que ninguém dê por isso a não ser que espalhes o teu comentário-melga por cada pardieiro que se aparente vagamente com um blogue –, que tal comentares os blogues que lês e – vá lá, confessa – te serviram pelo menos de molde, nem que seja pela negação das aberrações que são quando comparados com o teu modelo brilhante, que frequentas diariamente? Aí, podes, sem compromisso, experimentar o debate, a argumentação, a própria escrita, em casos extraordinários, a leitura e compreensão do que os outros dizem. Bem sei que parece disparatado mas, eventualmente, darão pela tua presença. Nesse momento, clicarão no teu nick que os há-de encaminhar para o teu blogue. Então, estaremos perante a situação descrita no ponto 1 (opá, o que eu gosto disto dos pontos! Fica tão mais simples. O Sporting não sabe o que perde, de facto… ter pontos é tão bom).

3) A atitude.

Agora que já foste cortês e interventivo e, com isso, captaste a atenção de alguns distintos bloguéres (que palavra chic) do futebol nacional, convém que estejas preparado: tens de ter textos à mostra para que possamos deleitar-nos com a leitura do teu génio. Porém, isto não é só literatura. Nada disso, as coisas não podem ser assim tão simples, não é? Pois claro que não. Um bom blogue sustenta-se na atitude do seu autor (quando são vários autores, as diversas atitudes criam uma dinâmica própria que tornará o blogue, em si, distinto de todos os outros; no entanto, e pelo que conheço, os blogues comunitários, digamos assim, têm sempre uma espécie de “líder tribal” que concentra em si a atitude que os leitores esperam quando, pela manhã, abrem o blogue em busca de novidades. Mais que não seja, porque esse redactor compulsivo escreve, por norma, 92% dos posts expostos – e não estou aqui a apontar o meu dedo a ninguém, escusam de se insurgir). Não existe uma atitude que possa ser eleita como “a” atitude. Mas temos para ti vários modelos à escolha. Vou apresentar-te os três com maior implante implantação neste nosso pequeno mundinho.

3.1) [Opá, que maravilha… 3.1… classe! Classe!] Sintetizador do óbvio.

Se não quiseres ter muito trabalho mas, em contrapartida, pretenderes garantir vasta audiência, faz o seguinte: finge que os teus leitores não vêem os jogos, não lêem jornais e não gostam de pensar. Posto isto, supõe que TU és o guru que os vai iluminar, mostrando-lhes o que acontece em frases claras e simples como «o Benfica ontem sentiu dificuldades, mas conseguiu levar a água ao seu moinho». Depois dissertas um pouco sobre o assunto. Se puderes, especula – do género «e se Aimar tivesse jogado de início?» -, mas sempre sem exagerar. Lembra-te: estás a fingir que nós não pensamos e nós estamos a fingir o mesmo. Portanto, não nos dês muito trabalho: diz-nos aquilo que sabemos que vamos ler.

3.2) Provocador.

Esta postura também dá milhões de clientes. És do Benfica? Faz posts a gozar com o Porto. És do Porto? Faz posts a dizer mal do Benfica. És do Sporting? Xinga os do Braga até não poderes mais. Não falha. Os teus rivais vão andar em cima de ti como o fora-de-jogo em cima do Postiga: não te dão um milímetro. Serás insultado, vandalizado, apupado, moralmente violado, tudo isso. Mas serás, sobretudo, visitado. E não é isso o que se pretende?

3.3) Literato.

Não é para todos, mas quero que saibas que acredito piamente nos teus talentos e, por isso, esta é a modalidade em que te vejo, sem margem para dúvidas. Dominas a escrita como o Pepe controla a raiva, o teu discurso está ao nível do de Jorge Jesus – calma, só ao nível da criatividade –, leste mais romances clássicos do que exemplares d’ A Bola no tempo do Olímpio Bento? És o homem certo para o lugar vago. Ter um blogue é um exercício de pavão, é bom que tenhas consciência disso. E, se tu não gostares de ti, Narciso, quem gostará? Exibe-te, espalha o teu glamour.

Agora, vai, dá o teu melhor. Mostra ao mundo o quanto és bonito. Eu estarei cá para te ler. E, se gostar, partilho o link na minha barra lateral. Palavra de honra.

«Ou vão roubar para a estrada ou a malta fica na rua»

ANTES DE MAIS: http://apoiamosporfora.blogspot.com/ É aqui que devem dirigir-se.

Finalmente, um post institucional. A desfaçatez do presidente do Feirense levou-o a querer o melhor de dois mundos. O Benfica garantir-lhe-ia a melhor receita da época. Porém, para que tal acontecesse, o Feirense - um clube que sempre me mereceu simpatia - teria de jogar em Aveiro, num estádio com maior capacidade. Ora, fizeram-se contas e deu quanto? Deu isto: joga-se em casa, num quintalinho que leva 5 mil pessoas. Para não se perder dinheiro, cobram-se preços de final de Liga dos Campeões aos Benfiquistas eufóricos.

É certo, só à vai à bola quem quer e ninguém é obrigado a pagar bilhete... E é isso mesmo que o blogue O Céu Encarnado sugere: Benfiquista, vai com o Benfica, mas não pagues bilhete. Faz a tua festa, grita pelos teus, mas, por favor: não pagues esse bilhete! A ideia é tão boa que merece o apoio de blogues tão distintos quanto o Ontem Vi-te no Estádio da Luz, que espera ver-te sábado à porta do Marcolino de Castro. Leiam, se ainda não leram, as sugestões e os detalhes do plano.

PS - Sugere uma amiga minha: «É levar o Meo Go». É improvável que alguém da Meo leia este blogue. Mas a ideia de a Meo se associar à iniciativa seria de grande nível...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cada segundo deve ser apreciado

Costumo dizer aos mais novos para apreciarem cada minuto do jogo, para não esperarem até serem mais experientes. Ser futebolista é fantástico e cada segundo deve ser apreciado.”

A admiração e respeito que tenho por Pablo Aimar – a quem não identificou de imediato o autor da citação: vergonha nessa cara – não pára de crescer e, mesmo quando penso que atingiu o expoente máximo, o Mago entra pelo meu mundo adentro, ora com a bola nos pés, ora com o brilho na ponta da língua, e explica-me que é sempre possível fazer melhor – mesmo quando já se fez o melhor. Não há limites para esta nossa relação, o crescendo é permanente e desconfio que será sempre assim. E até é uma relação, bem vistas as coisas, bastante próxima: vemo-nos pelo menos duas vezes por mês e, normalmente, até fico perto dele. O Pablo não sabe quem eu sou mas isso pouco importa: piso zero, bancada Sagres na direcção da linha direita (para quem ataca) da pequena área, por volta da 20.ª fila – sou aquele rapaz parecido contigo, Pablito.

Sobre ser futebolista sei muito, muito pouco. Joguei mais ou menos a sério, mas era novo e jogava muito mal. Muitos anos mais tarde, já eu não jogava a sério – e, mesmo a brincar, jogava muito pouco –, recebi aquela que parecia ser a solução para a minha falta de talento: a camisola com o 10 nas costas e a inscrição “Aimar”. Ganhei, de cada vez que entrei em campo com ela, pelo menos uns bons 10 a 15 minutos de respeito de adversários e companheiros. Por um lado, pela inequívoca beleza da camisola em si; por outro, pela ilusão que a minha fisionomia, em conjunto com o jersey ungido, criava nos jogadores em campo: «será El Mago?», «Pablo, és mesmo tu?» ou «o que se passa contigo, Pablito? Estás doente?» foram frases que ouvi diversas vezes. Como gosto de futebol e de fantasia, não gosto de desfazer logo o equívoco revelando a minha identidade reduzida. Prefiro deixar andar até àquele momento em que alguém mais perspicaz exclama «ó, bolas, afinal é o Diego!…» e, pronto, mais ninguém me passa a bola. Nestas coisas, quanto mais tarde, melhor… afinal, eu também pago o aluguer do campo.

Ainda assim, entendo na perfeição o que diz Aimar. E é tão bonito saber que ele pensa assim. Desfrutar, deleitar-se: coisas tão simples de fazer e que o ser humano faz tão raramente. Somos ingratos, não somos? Aimar não é, é sim clarividente e apaixonado pelo que faz.

Mas, se de futebolista nada percebo, já sobre ser adepto de futebol sei muita coisa. E sobre ser do Benfica sei muito mais, porque só sei ser dessa maneira, não conheço outra. E, se há coisa fantástica em toda esta circunstância de adorar o futebol e de viver com o Benfica, é precisamente poder apreciar Pablo Aimar, camisola 10 encarnada, franzino e genial a conduzir o jogo como nunca vi outro. A expressão “dominar a bola” assenta aqui como a bola assenta no pé de Aimar quando recebe um balão de 40 metros. Acontece que a coisa não fica assim, porque “dominar” é um termo de peso que aponta à subjugação e eu não creio que Aimar subjugue a sua doçura redondinha. Nada disso, aquela obediência é coisa cúmplice, tudo ali é amor e não temor. Aimar domina porque a bola o consente e até gosta. Cúbica, caprichosa e escorregadia para tantos; oferecida, redonda, suave e macia para tão poucos, a bola de futebol, como qualquer mulher, escolhe aqueles que podem encantá-la e encantar com ela. E eu nunca vi uma que resistisse aos encantos de Pablito.

Tudo isto para dizer aos mais poderosos do Benfica para apreciarem cada minuto de Aimar em campo, para não esperarem até ser tarde demais. Tê-lo como futebolista é fantástico e cada segundo seu em acção deve ser apreciado. Se possível, prolongado, esticado, acrescentado. E renovado.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Diálogo sobre a insensatez

(Pequeno Vermelho): Master, leste o que disse Vareta?
(Eu): Não, Pequeno Vermelho. Que disse Vareta?
(Pequeno Vermelho): Ele diz que não tens razão, que te falta o cuspinho dos post-its quando expões a tese de que a condição de Benfiquista é essencial ao homem quando nasce.
(Eu): Ofereço a Vareta a minha expressão mais profundamente admirada.
(Pequeno Vermelho): Hu-hum… e diz que copias o excepcionalismo americano.
(Eu): Pequeno Vermelho, tu sabes como jogam futebol os americanos?
(Pequeno Vermelho): Não, Master. Como é?
(Eu)? Com as mãos.
(Pequeno Vermelho): Oh… O meu espanto é monumental.
(Eu): E de capacete! É para que vejas como as pessoas conseguem, por vezes, ser insensatas e injustas. Que comparação descabida! Estamos perante um povo que modificou geneticamente o Belo Desporto, como podes constatar.
(Pequeno Vermelho): O horror… o horror…
(Eu): De tal modo que um jogador americano de futebol é substancialmente diferente de um jogador de futebol americano.
(Pequeno Vermelho): O Onyewu é um jogador de futebol americano ou um americano jogador de futebol?
(Eu): Bom… é… do Sporting. É… diferente.
(Pequeno Vermelho): Ah, pois…
(Eu): E que mais diz Vareta?
(Pequeno Vermelho): Diz que o Benfiquismo, tal como o vês, pode ser equiparado à circuncisão.
(Eu): Americano e judeu… Dirá, também, Vareta que o Estádio da Luz fica em Hollywood?! Estou desconcertado.
(Pequeno Vermelho): E diz que o Benfiquismo nasce do não-Benfiquismo e não o contrário. Afirma Vareta que «o não-Benfiquismo se transforma na condição necessária ao nascimento do Benfiquismo».
(Eu): Que afirmação imprudente.
(Pequeno Vermelho): Explica-me, Master: onde está a verdade?
(Eu): Diz-me, Pequeno Vermelho, com quantos dedos nas mãos nasce um homem?
(Pequeno Vermelho): Dez, Master. Cinco em cada mão.
(Eu): E será normal se um homem nascer sem dedos?
(Pequeno Vermelho): Não, Master.
(Eu): Nascer com dez dedos é como nascer Benfiquista: é o que faz parte. Afirmar que o Benfiquismo nasce do não-Benfiquismo é insensato – é como dizer que o normal é que um homem nasça sem dedos. É verdade que pode acontecer. Mas não será normal.
(Pequeno Vermelho): E se nascer com nove dedos? Ou com onze?
(Eu): Segundo Vareta, será perfeitamente normal. Porém, não é esse o padrão a que a Natureza nos habituou, pois não?
(Pequeno Vermelho): Não, Master.
(Eu): O homem nasce Benfiquista e com dez dedos. Nascer com nove ou com onze é um acidente, tal como nascer não-Benfiquista.
(Pequeno Vermelho): O Álvaro nasceu com onze…
(Eu): Mas Benfiquista.
(Pequeno Vermelho): E o Shéu com nove..
(Eu): É para que vejas…

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Não é amor, vem antes disso

Pai: Então doutor? Já nasceu?
Doutor: Hum... sim, já nasceu...
Pai: E então? Está tudo em ordem?
Doutor: Bom, err... está quase quase tudo bem...
Pai: Quase tudo?
Doutor: Há um... um pequeno, vá lá, problema com o menino...
Pai: Um problema? Que problema, doutor?
Doutor: Bom... a criança, enfim... a criança infelizmente não é Benfiquista...
Pai: Mas... mas... não é Benfiquista? Como "não é Benfiquista"?
Doutor: Ainda não posso adiantar muito, teremos de fazer uns exames para determinar o desvio... Estas malformações não são detectáveis nas ecografias, compreende? De qualquer forma, é um handicap raro de origem ainda indeterminada...
Pai: Ó meu Deus... e agora? É muito grave, doutor? Há cura?
Doutor: Cura não tem. Mas, quem sabe, no futuro não surge uma terapia eficiente? Há que ter esperança.
Pai: Mas é grave?
Doutor: Diria que poderá trazer transtornos, mas a gravidade só poderá ser avaliada depois de determinada a natureza do desvio. De qualquer modo, é importante educar o menino num ambiente confortável, tratá-lo como se não tivesse qualquer problema e, sobretudo, acarinhá-lo muito. Pode ser diferente, mas merece o vosso amor. É o vosso filho e nunca se esqueçam disso...


Quando ouço ou leio alguém que não é Benfiquista a falar das alegrias que o seu clube lhe dá, sinto sempre alguma compaixão, penso sempre "coitados... alegria dos tristes". Isto não é maldade nem, tão pouco, maledicência de qualquer espécie. É uma reacção natural, uma intuição: sem Benfica, tudo é incompleto, tudo pode ser, na melhor das hipóteses, quase bom. Não sei como explicá-lo. É como se, não se sendo Benfiquista, a vitória, seja ela qual for, não passasse de um prémio de consolação. Porque ser do Benfica é um estado perpétuo e elevado de existência. Não ser do Benfica é o resto. Vejo sempre o ser do Benfica como uma condição natural do ser humano, a priori; se não se é do Benfica é porque alguma coisa falhou, algures.

Ontem ouvi a Maria José Valério a falar na televisão, a contar como foi cantar pela primeira vez o hino do Sporting. E notei-lhe - não estou a brincar - uma leve angústia na voz e no olhar quando ela descrevia, com sorriso amargo, a alegria que sentiu quando cantou, no Tivoli, "viva o Sporting!" e o público, sportinguista, respondia "viva o Sporting". Havia um traço a transtornar-lhe a expressão, algo naquela descrição denunciava uma felicidade imperfeita e incontornável - como se ela pensasse "mas, apesar de tudo, foi um momento alegre, enfim...".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Assim falou Armés

«Não sei se é possível humilhar, goleando, uma equipa como a do Barcelona. Mas, se o for, hoje é um bom dia para isso acontecer.»

Podem ver o jogo indo por aqui. Mas - e atenção a este MAS - só DEPOIS de acabarem de ver o Benfica.

«Enfermeira, que lhe parece, não acha que a situação está a evoluir favoravelmente?»

A crónica de hoje de Eduardo Barroso é apenas uma tremenda seca lamechas sobre a profunda desgraça que é o «seu querido Sporting», pejada de lamúrias e sem ponta de interesse. A dor de cotovelo está lá, mas de forma latente. Bravo, doutor. Bravo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

«Mi casa es mi casa» (contém ilustrações)

Para mim, com o Benfica não há dilemas: ou há impossibilidade, ou há a obrigação moral de ir à Catedral. Por impossibilidade, entenda-se a própria morte, a morte de alguém próximo, doença incapacitante, lesão dolorosa recente, bancarrota, compromisso profissional intransigente ou datas profundamente inalteráveis – o casamento, por exemplo, não está contemplado nesta última categoria e, se algum dia me casar, tentarei fazê-lo na segunda metade de Julho ou, se for em ano sem Europeu nem Mundial, na segunda metade de Junho ou primeira de Julho; já o aniversário da minha namorada, por seu lado, está amplamente abrangido pela categoria e permite escusa com justificação.

Acontece, precisamente e é uma feliz coincidência estarmos agora a falar disto, que a minha namorada fez anos no fim-de-semana e lá fomos nós ao Algarve, que é a terra dela. É estranho dizer-se que se “vai à terra” indo uma pessoa ao Algarve. Normalmente, vai-se “à terra” a Oliveira do Hospital, ao Sabugal, a São João da Pesqueira ou, sei lá, a Borba. Parece quase injusto ir-se à terra ao Algarve. Mas a vida é feita destas contrariedades e, assim, todos os santos verões, só para que tenham uma ideia do que passo, lá me vejo obrigado a rumar ao Sul, a ter de enfrentar águas tépidas e mansas, para não falar nas temperaturas de 35 graus, do marisco e das sardinhas. Enfim, tudo na vida tem um preço e eu estou disposto a pagá-lo, de bom grado, em troca da harmonia familiar. Fomos, portanto, à terra festejar o aniversário.

Chegados ao destino, fui em busca de um bom sítio para ver o Benfica – escusa de ir ao Estádio não abrange licença de abstinência: lá ou aqui ou em qualquer lado, o Benfica é para ser sentido, acompanhado, celebrado e adorado. Há que cuidar bem das coisas bonitas da vida. Desci direitinho ao Merlin’s, faltavam dez minutos para o apito inicial, mas…



Fechado.



Faltavam nove minutos para começar a partida. Baralhado, desorientado, em pânico, comecei a subir a rua, de regresso. Mas de regresso para onde? Não, erro. Voltemos para baixo. E lá fui eu, descendo em passo rápido, auscultando cada café, cada pub, cada restaurante, em busca de uma SportTV sintonizada e de um distintivo azul na porta. Por toda a parte, apenas Sky Sports ou, em alternativa, canais abertos nacionais. Seis minutos para o kick-off e eu a percorrer ruas estreitas e retorcidas da zona velha de Albufeira, dirigindo-me ao centro, esperando encontrar no meio daquela cidade apagada, abstraída de Portugal, um lampejo de amor ao futebol de cá da terra – eu já nem pensava em Benfiquismo, não pedia tanto.

Ao virar uma esquina e chegar à praça central, ouço um inconfundível separador publicitário, um «trululum»… SPORTTV!!!!!



Segui aquele som como se, no limite da minha sede, seguisse o ruído pacífico de um curso de água no meio da floresta (ando a ler a Pearl S. Buck, todas as minhas metáforas devem conter elementos da natureza transmitindo a paz e a serenidade tipicamente orientais). Quando chego perto, a incredulidade arrebata-me, primeiro, esmaga-me, em seguida, e, por fim, faz-me grato e comovido: o som vinha da Casa do Benfica de Albufeira.



Subi as escadas e, entrando na sala, disse bem alto «boa tarde e viva o Benfica!». Uma mini Sagres posou graciosamente sobre o balcão como se tivesse esperado por mim a vida inteira. Sentei-me, em casa, entre os meus, acendi um cigarro e vi o nosso Benfica ganhar.

Melhor diálogo do fim-de-semana

-Tou, Diego?
-Yo, máméne, comé quié? Tá-se?
-Tá-se, tá-se… já vamos ver se tá-se…
-Então, pá? Que é que se passa?
-Tás no Algarve?
-Tou, acabei de passar aquela placa que diz “Algarve” mesmo, aquela grande. Granda pontaria, man… Ainda estou na estrada.
-Que fixe… olha, não tens contigo por acaso um Redpass com o nome de Felisberto Roberto Gilberto Adalberto, não?
-Eu?! Tás parvo?! Não, pá… então, eu devolvi-te isso… não te lembras?
-Não, não me lembro… e, além de não me lembrar, não o encontro, cabrão… e foi a ti que eu o emprestei.
-Mas eu devolvi-te… tenho a certezinha absoluta disso… eu lembro-me perfeitamente…
-Ai tens? Pensa lá bem se tens…
-Absoluta, man!... Estou a ver aqui a carteira… e tudo…
-Sim…? E não o tens? De certeza?
-Epá… erhm… mais ou menos…
-O que é que queres dizer com “mais ou menos”?
-Mas… tu querias ir ver a bola, era?
-Ó palhaço, eu estou à porta do Estádio! O que é que tu achas?
-… man, eu pago-te o bilhete…
-TENS OU NÃO TENS A PORRA DO REDPASS?
-… eu pago-te o bilhete, já disse… vai lá ver a bola descansado…
-…
- :(
-Tão caladinho… aposto que estás a fazer um saddy…
- :(
-Eu não vejo a tua cara, Diego…

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Escolhe uma alcunha

Aviso prévio: este post, se avaliado numa escala de bom-gosto e educação, seria eliminado por não preencher os requisitos mínimos. A sua essência é o insulto e a sua natureza é bastante ordinária.

Depois daquele aviso, vou resumir a nota introdutória: o assunto é a Marta Rebelo. Uma pequena ronda pela Gloriososfera deixa uma ideia bem vincada: à Marta ninguém lhe pegava, por mais Benfiquista que se auto-proclame. Por mim, destituía-a do grau de Benfiquismo. De hoje em diante, ser-lhe-ia proibido ostentar essa patente, a mais alta da escala do clubismo. Não sei se terei poderes para isso, mas fica aqui a sugestão, ainda assim.

Bom, vamos ao que interessa. A Marta traz diversão. E não estou a ser porco - ainda. Traz diversão - e não disse "diverte" - porque, após a leituras do seu Record de cretinices, muitas outras crónicas de escárnio e ódio, veneno e verdades se geram com origem no sémen que debita - isto, sem qualquer tipo de maldade, não estou a sugerir que a Marta escreva... enfim, era metafórico.

De toda a parte chegam palavras para Marta Rebelo. E quando as palavras não chegarem - continue a Marta a escrever todas as semanas e as palavras não chegarão -, alguém há-de inventar palavras novas para qualificar a Marta.

Pela minha parte, farei o que posso: encontrar o epíteto ideal para Marta Rebelo, esta pessoa que já foi um pouco de tudo, sem nunca ser sido nada.

«Cardozo é teimoso, pesado, cabeçudo, preguiçoso, lento e caprichoso», diz Marta Rebelo, que é jurista e assistente universitária, para além de ex-deputada e boa companhia. Porém, entre tanta função distinta, uma pessoa perde-se e não sabe qual será o cognome ideal. Procurêmo-lo, peço-vos ajuda. Fica, para já, a minha proposta: Marta, a Usada.