sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Adeus Falcao...

Não costumo - e nem gosto de - meter-me, sobretudo de forma séria, em assuntos que não me dizem respeito. Acontece, neste caso, que me tornei absolutamente fã de Radamel Falcao. Poderia enumerar todas as qualidades que fazem dele um avançado de eleição, um ungido das grandes áreas, um predestinado do golo. Mas se tu, assalariado que se distrai com a Internet, estás a ler este blogue, é poque alguma coisa de bola hás-de perceber (ou terás, pelo menos, essa convicção) e dispensas bem os meus sermões laudatórios do colombiano que teve a infelicidade de escolher sempre o clube errado na vida. Com a confirmação do negócio, que teve ainda o condão de ser de tão péssimo gosto que juntou no mesmo pacote esse génio matador e um dos madeirenses mais irritantes do planeta, fiquei desiludido. Diria até um pouco triste. Esperava mesmo ver-me livre de Falcao - quem gosta de o ter como adversário? Mas também esperava vê-lo entre a elite na galeria das super-estrelas da bola e sentir um estranho orgulho por tê-lo visto na Luz, ao vivo (não me levem a mal, eu gosto quando os adversários têm grande classe). Hoje comentei, a propósito, um desabafo de um amigo portista. Partilho aqui convoso o comentário. Não é grandioso, mas é sincero.

"O negócio é admirável, mas fico francamente desapontado com o Radamel. Um jogador daquela categoria só devia sair do Porto para ir para o topo do mundo. É quase ofensivo imaginar o - quanto a mim - melhor ponta-de-lança da actualidade a fazer golos para consolidar o quarto lugar no campeonato ou para eliminar o Guimarães da Liga Europa. Mais: um adepto do Sporting Atlético de Madrid a dizer no Telejornal que "bom... não é o Agüero... mas é um bom avançado" quase me deu um vómito. Espero que a aventura lhe corra muito mal e que regresse a Portugal para voltar a ter a admiração que merece - ao serviço do Benfica."

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O regresso da normalidade

Há coisas que me deixam tremendamente satisfeito. Uma delas é recuperar o bom senso. Quis a magia negra do futebol que eu viesse, de há uns tempos para cá, a desenvolver uma estranha e preocupante admiração por Falcao, jogador que NÃO É do Benfica. A sua elegância em campo, a relação fatal com a bola, a demonstração de inclemência perante os adversários, fizeram-me criar por Falcao uma imagem de ponta-de-lança ideal: um portento de técnica, com uma overdose de finésse e de elegância, senhor de um brilho e de um imediatismo demonstradores de elevada intelectualidade sobre a relva. Afinal, e depois de o ouvir dizer que a mudança para o Sporting de Madrid era "uma boa oportunidade" na sua carreira, concluo que Falcao tem apenas duas coisas: estilo e sorte. Tudo o resto era pura ilusão. Até me sinto melhor.

Algumas notas que tirei ao Sol e outras que, mentalmente, apontei mesmo dentro de água

Eu não estou amuado. Eu estive mesmo de férias.
Dantes, quando estava de férias, não lia jornais, não via telejornais e não comia carne de porco. Mas entretanto modernizei-me e sou, de um modo sofisticado, portador de um aparelho vagamente aparentado ao telefone. Uma chulice geek com acesso à Internet que, basicamente, me permite tirar fotografias para o facebook e ler A Bola online. Adiante, o que importa reter daqui é que, apesar de calado, eu andei atento, com a leitura em dia. E, sobre estes assuntos que A Bola ia noticiando, tenho coisas que pensei e que agora me apetece dizer. E nestas férias comi entremeada – mas só uma vez.
Para além d’A Bola, fui sendo actualizado, sempre que jogava O Grande, através da telefonia. O velho relato da Antena 1 continua a empolgar-me incomparavelmente mais do que o António Tadeia e os outros todos. O relato com o Arsenal foi muito bonito. Antes disso, vi com o Trázon Spor, na Luz e na Turquia (na Turquia pela televisão, entenda-se). Também gostei muito.

Mas…
Na sexta-feira, a caminho de Lisboa, ouvi o relato de Barcelos. E não queria acreditar. Portanto, ora… o Jorge Jesus. Eu não sei como hei-de pôr isto. Eu não sou anti-JJ, que fique bem claro. Surpreendeu-me que o Benfica o tivesse contratado (nunca, antes disso, achei que tivesse nível para um grande) mas não pus em causa a sua qualidade e, na primeira época, obteve bons resultados no campeonato (Óroliga e Taça de Portugal foram para esquecer). Na época passada, falhou nos momentos-chave. Mas, ainda assim, a equipa produziu bom futebol e quando falhou foi sobretudo contra uma das melhores equipas que vi jogar nos últimos anos – reconheça-se-lhes o mérito: o Porto do ano passado era de colheita histórica.
No entanto, em ambas as épocas ficou a sensação que Jesus não era capaz de fazer melhor, que atingira o seu limite. É um treinador com um grande poder de motivação, é trabalhador, é aguerrido e possui um enorme gosto pelo ataque e por fazer golos. Mas faltam-lhe características importantes para o topo da alta competição, como o são as competições europeias ou os jogos com o Porto. Tentei, por isso, identificar os maiores problemas de JJ. De entre os vários que o caracterizam, há um que claramente prejudica a equipa – e que o faz espalhar-se recorrentemente ao comprido. Talvez por sentir que tem algo a provar, que tem de fazer qualquer coisa que deixe a sua marca na história do futebol, Jesus tem tendência para inventar como se inovasse, para tentar surpreender como se isso o distinguisse enquanto génio inventivo. Porém, engana-se. Diz-nos a história que as grandes equipas se construíram sedimentando-se, ganhando consistência. Mas Jesus não liga a isso da história, Jesus é um homem de rasgo, de inspiração. O trabalho, o esquema, as rotinas, tudo isso são coisas de meninos quando comparados com a luz que Jorge Jesus recebe no seu espírito antes de cada jogo. Normalmente, cinco ou dez minutos antes do apito inicial, para ser mais preciso.

Desta pré-época Benfiquista há várias coisas a reter. Julgo que existe unanimidade quanto à qualidade de Nolito, de Garay ou de Artur. Foram boas aquisições, acrescentaram algo à equipa. Existem algumas dúvidas quanto a outros. As opiniões dividem-se em vários casos. Vou deixar aqui as minhas. Gostei muito de Matic, penso que tem qualidade e que pode vir a ser muito útil. Em certos casos, pode mesmo substituir Javi Garcia. Há ali qualquer coisa Jonas Thern. Também gosto muito do Emerson. Tem recebido muitas críticas, é claramente o elo mais fraco dos que chegaram para agarrar o lugar: poucos o conhecem e o único crédito que tem é ter sido o titular da equipa campeã de França o ano passado (e na sua sombra tem um Capdevilla, jogador de topo, campeão da Europa e do mundo ao serviço – sempre a titular – de uma das melhores selecções da história). Mas eu gosto de Emerson. Defende bem, é abnegado, sabe estar em campo, é forte, tem técnica q.b. e razoável qualidade de passe. Não é o cometa Coentrão (que, by the way, jamais será lateral-esquerdo no Real Madrid, nas mãos de Mourinho…), mas é um defesa seguro que se entende bem com o miolo e que sobe sempre pela certa. A ver, com calma.
Mas, de entre tudo, fiquei deslumbrado – é mesmo o termo – com o potencial da dupla Witsel – Aimar no meio-campo. Pablito, que é mestre desde que nasceu, duplica a qualidade do seu jogo ao lado deste belga cheio de classe que, acredito piamente, longe do nosso Pablo, não jogará mais do que metade do que joga quando está a seu lado. Juntá-los é aumentá-los, é fazê-los grandes, ainda maiores do que são. Esta dupla fascina-me. Para já, fascina-me na medida em que nenhum comentador desportivo consegue identificar o papel de cada um deles quando estão em campo em simultâneo. Aparentemente, os simuladores de Football Manager não conseguem decifrar o 4-3-3 com dois interiores que se vão revezando na condução do jogo e que sobem apoiando-se mutuamente. Para quem ainda não reparou: Nolito, Gaitán e Saviola são avançados. Mesmo. Daqueles à séria, que ficam lá à frente e só servem para atacar e fazer golos. Aimar e Witsel apoiam Javi nas tarefas mais defensivas, fechando, cada um, o corredor da sua proximidade (pelo pouco que observei, a norma é: Aimar apoia Emerson; Witsel apoia Maxi; mas julgo que também varia). Bom, mas isto são peanuts. O que importa reter daqui é: como é possível que Jesus ainda não tenha reparado que esta dupla é a jóia da sua coroa? Distracção? Ou quando chegou a Barcelos o deus que o ilumina voltou a dizer-lhe “ó Jorge, tu tens é de inventar, pá: tira o Witsel e mete o Jara, joga em 4-4-2, que assim os comentadores da TVI conseguem perceber a táctica”? Não se pode culpar JJ pela mania que Laionel tem de nos estragar as primeiras jornadas com golos do meio da rua. Mas, caramba, porquê esta mania de Jejus de fazer as coisas pelos atalhos, de dificultar o que é fácil, de complicar o que é simples e claro? Eu não quero ser surpreendido, Jorge. Eu quero entrar em campo com a melhor equipa que temos, com todos no lugar certo. Apenas isso.

Logo, ao fim da tarde, espero ver um Benfica de classe. Com a jóia da coroa em campo. O adversário é um bom tira-teimas: não é fraco, mas não é nenhum tubarão. Fico desapontado se não ganharmos.

PS – O Enzo Pérez é uma espécie de dark side do Quaresma.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A arte definitiva

Marcar um golo provoca uma sensação difícil de descrever. É como uma transgressão à realidade. Estamos ali mas não estamos ali. A euforia, a adrenalina que dispara, a incredulidade “marquei mesmo?” que nos toldam, deixam-nos num limbo inatingível de qualquer outra forma. Marcar um golo é uma forma sublime de existir momentaneamente. É um apontamento sobre-humano impossível de guardar ou de cristalizar. Passados alguns segundos, tudo o que resta são escombros do golo: alegria, satisfação e pouco mais. Racionaliza-se, numera-se e passa à história. Porque o golo se perde nele próprio, no instante em que acontece, assim, “já está!” e é então, nesse momentozinho mínimo, que percebemos a nossa função cósmica: era mesmo isto, empurrar a bola lá para dentro.
Há, no entanto, uma outra sensação de elevado requinte no futebol. Não fará história como fazem os golos. Não faz disparar a adrenalina dessa maneira orgásmica. Não justifica a nossa existência perante o universo. Mas sabe bem como poucas outras coisas na vida. Sabe bem como comer as primeiras cerejas do ano deitado sobre a relva à sombra de um pinheiro, se me permitem a analogia bucólica. Trata-se, como hão-de ter depreendido, de passar a bola por baixo das pernas do adversário. Fazer a cueca, dar a ratada, meter uma coxinha. É arte com muito nomes, todos eles tão criativos, irónicos e provocadores quanto o executante do gesto, seja ele qual for, onde quer que seja.
Fazer a cueca é aquele gesto que exige do futebolista muito mais do que sentido prático, noção táctica ou apurada técnica. Fazer a cueca é um estado de alma. Requer descaramento e uma boa dose de snobismo. É necessário que o artista seja – e saiba que o é – superior ao adversário a humilhar. O gesto é doloroso para quem é vítima; e é quase embaraçoso para o herói que o realiza – fica sempre aquela sensação de “oh, meu Deus!, peço imensa desculpa… foi impulso”. Mas depois fica aquele sorriso malandro que dispensa palavras. Se marcar um golo é um orgasmo apaixonado, dar a ratada é claramente fruto de uma masturbação recreativa.
Nesta arte milenar – refiro-me à cueca, não à masturbação -, há um jogador dentro de cada equipa com acesso privilegiado ao espaço entre as pernas abertas dos adversários. É o mago, o distribuidor, o 10. É só escolhê-los. Eles vêm, eles caem. Naturalmente, a localização táctico-geográfica do 10 acresce-lhe responsabilidades: não basta “passar de régua e esquadro”; não chega que faça aberturas de 40 metros, que bata os cantos como ninguém que distribua jogo com apenas dois toques, que seja o rei das assistências. Isso é para os medianos, para os razoáveis. Os craques, os magos, os distintos “metem uma coxinha” sempre que podem. Sempre com classe. Para mostrar quem é mestre ali, para desmoralizar os adversários. Entristecendo-se o opositor, aproximamo-nos da nossa própria felicidade.
Quando eu pago bilhete para ir ao Estádio, não é apenas para ver o Benfica ganhar, para desfrutar do ambiente ou para sair de lá rouco de cantar o hino ou para ver voar a Vitória. Eu quero contemplar o mágico enquanto ele causa depressões aos adversários. E quero que estes saiam de campo pensativos, insistindo na ideia “se era para isto, mais valia ter ficado em casa”.
E é para isso que eu lá estarei logo ao fim da tarde, Pablo, Pablito Aimar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Isto porque, parecendo que não, ainda é silly season...

Os mistognósticos são muito desgastantes. Mas gostei do Emerson e do outro, o Garay. E o Pérez ganhou uns pontinhos. Continuo sem gostar é daquele gordochinho inestético. Mas não queria falar sobre isto, que me aborrece.
Hoje vamos aproveitar o pouco que nos resta da silly season. Ah e que fique claro que não fui eu quem inventou esta piada - a que se seguirá, para vosso gáudio. Li no facebook. Mas é tão silly season que, à falta de caracóis, decidi publicá-la. Então, vai assim (eu retoquei, de modo a secá-la um pouco; na versão espontânea, a punch line é muito mais potente. Porém, não quero tirar sobriedade ao blogue):

Analisando rigorosamente os registos, verifica-se que o melhor goleador do Porto dos últimos 30 anos é o Vidoso. Em cada três, quatro golos, um é do Vidoso.

E pronto, era isto. Agora, peguem nesses sorrisos de "foda-se... que perda de tempo..." e continuem lá a fingir que preenchem as folhas de cálculo, enquanto abanam a cabeça e pensam "'tá boa".

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Prognóstico: isto leva cachaça

Uma das minhas coisas favoritas – logo a seguir a namorar romanticamente em ambientes idílicos, a namorar ferozmente em ambientes ousados, a ver filmes com o Bruce Willis, a ir ao Estádio da Luz ver o Benfica, a comer salmão na chapa, a dar concertos em sítios apertados e cheios de gente, a ver concertos em sítios apertados e cheios de gente, a ver o Benfica na televisão na Típica, a viajar por Portugal, a passear por Lisboa, a viajar pelo mundo, a passear por sítios bonitos, a sair à noite, a festejar o Santo António, a ir à praia no Burgau, a minis e caracóis, a ler no metro, a provar vinhos de qualidade em boa companhia, a fazer jantaradas, a jogar à bola à quarta-feira, a dormir, a escrever e mudar as fotografias no facebook e a fazer investigação na Wikipédia – é prognosticar. Pode parecer disparatado, mas é uma actividade que levo muito a sério. Gosto muito de prognosticar resultados de jogos de bola, embora não se compare com prazeres mais refinados, como prever o tempo ou a recuperação notável da Sónia Brazão. Mas aprecio, sinceramente, o prognóstico futebolístico. Além do mais, enquanto a bola não rola a valer, gosto de me entreter com certas coisas. Acabaram-se-me os cajus e já só há duas minis, portanto, vamos a isto.
Prognostiquemos jogadores. Ou será diagnostiquemos? Por vezes, embrulho tudo. Façamos mistognósticos. Que fique registado que fui eu quem inventou o termo. O mistognóstico prognostica ao mesmo tempo que diagnostica. Gosto. Likes para mim. Mistognostiquemos os jogadores do Benfica, os novos. Há alguns de que não faço ideia quem sejam. Consultando o jornal A Bola, vejo aqui um André Almeida, um Nuno Coelho, um Mora, um Uche e um Mika. Os portugueses ainda têm nomes bonitos. Mas os outros, enfim. Estes ficam já de parte.
Depois há uns cujo nome eu recordo. Shaffer. Eu já ouvi isto em qualquer lado. Mas também não me lembro de nada que tenha feito. Portanto, irrelevância equivale a nada. Por mim, pode seguir. Urreta. Deste eu gosto. Era rapaz que ficava num plantel em que eu mandasse. Mas estes também não me interessam. Vamos aos realmente novos.
De cima para baixo, na lista d’A Bola. Artur: é fixe. O ano passado fez grande época no Braga e parece-me indiscutível para a titularidade – apesar da chegada de Eduardo, que não é mau guarda-redes, mas a quem falta qualquer coisa. E pronto, dois estão despachados.
Wass. Parece-me muito fraco. Sem velocidade, sem garra e sem timing, não consigo entender a razão que levou o Benfica a contratá-lo. Mais um mistério. Sai.
Matic. Ora aí está, aqui atingimos um nível que me agrada. Primeiro, é um médio como eu gosto: em jogo, participativo. Não gosto de “miolos” que se escondem. Este não se esconde. É grande, tem técnica, impõe-se e até me parece ter um niquinho de mau feitio. Além disso, mete medo. Gosto. Um like para o Matic. Vai afirmar-se.
Bruno César. Não gosto. Dislike. É muito feio e gordo. E além disso fala muitíssimo mal. Na minha opinião, devíamos ter inflacionado este pequeno bácoro a ver se o Porto abria o cordãozinho à bolsa uma vez mais. Ainda por cima, para o lugar do Aimar. Hum, deves. Suplente.
David Simão. Li maravilhas sobre este jovem. Lembro-me, vagamente, da sua época no Paços de Ferreira. Penso que justifica uma oportunidade. Mais que não seja, para justificar a existência de um escola de formação no Benfica.
Chegamos ao Nolito. Penso que não engana. Bem formado, cheio de técnica, garra e visão de jogo. Poder no um para um, noção de equipa. Enfim, um valor seguro. Pode não ser uma enormíssima estrela, mas é garantidamente um jogador útil e produtivo.
Eis agora uma incógnita: Rodrigo. As referências são das melhores. No estágio foi frequentemente a estrela. Em jogo, pouco vi dele (não sei se terá jogado pouco). Sendo comunitário, apostava em guardá-lo. Em Dezembro, logo veríamos.
Nelson Oliveira. Avançado prometedor. Apesar de haver algum excesso de avançados no plantel, é português e é da formação. Gosto disso. Por mim, fica no plantel.
Enzo Pérez. Ora, muita cotação na pré-época, pouca produção no estágio. Sinceramente, não me impressiona. E nem sequer percebi bem qual a posição que realmente deveria ocupar. Veio com etiqueta de extremo. Vejo-o a flectir para o meio… Não sei. Empréstimo. Dislike.
Garay. Vem do Real Madrid e diz que é bom. Já está em Lisboa para ver o jogo de logo à noite e isso é sempre um óptimo sinal. Estrela pela certa… Não, estou só a brincar. É defesa-central e isso, nos dias que correm, chegam para fazer dele um dos jogadores mais imprescindíveis a esta equipa. Se fosse “lateral-esquerdo” diria o mesmo.
Witsel. Há quem não conheça. Há um vídeo no YouTube que não deixa dúvidas: este menino não brinca. Não vem que não tem. Com ele, ou vai ou racha. E normalmente racha. Fora isso, parece aquele que morre do C.S.I. Las Vegas. Perigoso, mesmo se desarmado. É bem-vindo. É o craque.
Falam de Capdevila. Não entendo se assinou se não. Esperemos para ver. As credenciais são boas; as características, no entanto, não correspondem às de Coentrão. Cheira a pré-reforma.
Meh. Chega de prognósticos. Isto cansa-me. Vou comprar pistáchios. E fazer uma caipirinha. (Eu não disse?)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Tentativa um pouco embaraçada de emendar uma falha grave

Com o passar das gerações blogosféricas, as listas de favoritos vão ganhando corpo, volume e, por fim, pó. Por isso, alguns blogues deixam de ser visitados (por mim...) com a regularidade que mereciam. Este é um deles. Para quem gosta de bons textos, boas ideias e boas polémicas, sempre com o Benfica no coração.

Obrigado, Obrigado Sá Pinto.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tirando os Beatles...

Quem me conhece de perto, sabe bem que não sou o fã número um do sistema democrático, sobretudo tal como o conhecemos e o aplicamos – ou ele se aplica sobre nós, talvez seja mais rigoroso pôr os termos assim. Mas não falemos na democracia como modelo político. Prefiro debruçar-me sobre a democratização da opinião e, concretamente, a democratização da opinião no planeta do futebol.
Não sei se será só impressão minha ou se mais alguém concorda com o seguinte: um gosto de uma maioria muito raramente é um gosto distinto ou requintado. Assim de repetente, tirando os Beatles e o Benfica, não me ocorre mais nada de que toda a gente goste e que tenha realmente pinta. Do incontornável Tony Carreira ao insuportável Barcelona, passando pela preferência pela selecção brasileira, tudo aquilo de que a grande massa é fã se caracteriza habitualmente pela falta de bom gosto.
Os mais pudicos escusam de balbuciar entre dentes “reaccionário dum cabrão” porque este texto é o oposto da reacção: é todo pelo progresso. Sobretudo, pelo progresso nas mentalidades, pela descarneirização da opinião.
Voltando ao assunto, sejamos justos: a mediocridade só precisa de ser fácil para agradar à esmagadora maioria, sobrepondo-se, em número de preferências, a qualquer excelência que requeira um mínimo de esforço. O Ronaldinho Gaúcho encantava muito mais do que o divino Bergkamp (e este tópico não é discutível: não suporto o gaúcho e era menino para fazer um altar ao holandês que não voava) e isso diz muito da capacidade de uma multidão para avaliar a elegância e o charme de um verdadeiro artista.
Por esta altura, noto alguma agitação por esses gabinetes de call center e repartições de finanças e guichets de centros de saúde. Interrogam-se “mas do que é que este gajo está para aqui a falar?”. Tenhamos calma. Amanhã também é dia de trabalho e, assim, tereis mais matéria de leitura para ocupar esse tempo morto entre as nove e as cinco.
Voltemos à tal democracia. O facto de eu não morrer de amores por ela não significa que seja apaixonado pelas ditaduras. E é com algum espanto que noto, por vezes, uma injustificada intolerância entre Benfiquistas, sendo o sentido dessa intolerância invariavelmente o mesmo: os que questionam e levantam dúvidas são vistos pela massa maioritária como agitadores, demagogos ou, na maioria dos casos, simplesmente idiotas. Que fique bem claro: eu não fico 200 gramas menos Benfiquista por questionar políticas do meu clube. Eu posso contestar o nosso presidente, desde que não lhe falte ao respeito ou atente contra a sua honra, dignidade e mais uma série de coisas que são imagens de marca de quem gere clubes de futebol. Portanto, sempre que eu tiver uma ideia ou algo a apontar à gestão do meu clube, se não se importam, estou apenas a exercer o meu direito – moralmente, é até o meu dever! – de Benfiquista. Porque eu para o meu clube só posso querer o melhor – e, tirando os Beatles, o melhor nem sempre é aquilo de que a maioria mais gosta. Mais: o facto de ter ideias e de gostar de debatê-las neste espaço (semi-)público não implica que, como por vezes sugerem quando os argumentos se esgotam, eu me candidate à presidência do Benfica. Calma, senhores. Se um dia houver motivo e condições para isso, será o meu maior orgulho – e do meu pai, e do meu já falecido avô e de uma grande, grande, grande parte da minha família. Porém, por enquanto, limito-me a isto: dizer coisas que penso. A manifestar a minha opinião, o meu desagrado, a minha insatisfação ou as minhas dúvidas. Ou só devemos manifestar o nosso Benfiquismo quando é para festejar no Marquês? Bem sei que é mais fácil e dá menos trabalho. Há mais alegria e tudo. Mas, para lá chegarmos, por vezes é realmente necessário que alguém pense e ponha em prática determinadas coisas, com acerto. Borrifando-se na democracia. Sem funcionar para as maiorias. Ou, melhor: funcionando para a totalidade - porque não há Benfiquista nenhum que não goste de ganhar. Agora, isso dá algum trabalho…

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Já me esquecia

E sim, este blogue ganhou aquela votação estranhíssima no Ontem Vi-te no Estádio da Luz. Que fique registado que nunca foi minha intenção conseguir tal coisa. Mas agradeço, pois claro.

Conjunto de impressões em texto corrido mas sem grande ligação entre os sectores

Instado por várias personalidades de vulto a comentar a situação do Benfica, aqui ficam coisas que eu penso sobre o assunto em apreço.
Para começar, acho mal. Acho mal que me instem a pensar sobre isto quando eu andava, já aqui há tempos, a considerar a possibilidade de fazer uma crónica em que amparasse, com brilhantismo, o mundo futebólico num organigrama musical, com uma hierarquia muito própria, na qual o maestro seria o número 10 e assim por diante, mas tentando ser um pouquinho menos banal. O virtuoso dos violinos seria claramente o extremo esquerdo, número 11, que no Benfica é o número 20 desde o Simão e que este ano deve ter os dedos do Nolito a encantar auditórios. Mas não era disto que eu ia falar hoje. Falemos de laterais esquerdos, ou violoncelistas, que é uma coisa que o Benfica já teve algumas vezes. Na verdade, eu não sei muito bem quem é que o Benfica tem lá este ano. São muitos e não é fácil decorar o nome de todos. Aliás, pelas minhas contas, em 90% dos casos decorar-lhes o nome é perda de tempo, já que serão dispensados, emprestados ou simplesmente colocados noutras funções no clube, visto que o plantel não deverá ter mais de 30 ou 40 jogadores.
Bom, não nos dispersemos. Ah, e tem o Bruno César. Eu sei porque não gosto dele. Fala muito mal e é feio, tem uma boca disforme, dá ideia que está sempre a mastigar batatas cozidas. Enquanto fala.
Laterais esquerdos. O Fábio Coentrão era lateral esquerdo do Benfica. Esta frase é uma banalidade, mas tem um propósito: introduzir uma ideia do José António Saraiva. Notem o elogio que hiperbolizei ao aplicar o termo “ideia”. O José António Saraiva decidiu, para nossa alegria, discorrer sobre o saudoso Coentrão. E eu acho notável que, entre banalidades e termos aprendidos de cor (“dinâmica” domina completamente o discurso), JAS consiga elevar-se e executar raciocínios dedutivos ao alcance de muito poucos. O exemplo mais flagrante, aliás, mais notável, é aquela passagem do texto em que se aborda o timing da transferência. Observador de muita ciência, Saraiva considera que – como diz no título do seu próprio texto – é “a altura certa”. Se a observação não surpreende, a explicação que lhe subjaz não faz menos do que encantar. Ora atentem, que vou transcrever isto ispsis verbis, como se costuma dizer: “Coentrão é um jogador de risco. É um jogador que de um momento para o outro pode sofrer uma lesão grave”. Calma, isto não fica assim: “até porque não tem massa muscular condizente com a alta velocidade que atinge”. Em plena silly season e com o Miguel Sousa Tavares ido de férias, é com elevado regozijo que registo a existência de José António Saraiva. Viva Saraiva! E continua: “se Fábio se lesionasse e ficasse parte da época sem jogar, o seu valor cairia a pique”. É isso aí.
Entretanto, diz que comprámos um Witsel e que perdemos com um Dijon. Ou vice-versa. Para mim é tudo muito confuso, todo um mundo desconhecido, apesar de alguns nomes serem muito catchy, muito “manchete d’A Bola”. Matic é fixe, por exemplo.

sábado, 2 de julho de 2011

Ai o futebol não tem magia? Não?

Eles têm o - discutivelmente, vá... - melhor jogador do mundo, têm o genro de D10s e têm uma das melhores selecções da actualidade. Mas o primeiro golo desta Copa América, que chegou para travar a poderosa Argentina (viria a empatar com um golaço de Kun Aguero), que até joga em casa, foi apontado de calcanhar por um jogador brasileiro, cuja alcunha é Bolívia e que tem tudo para ser craque na próxima época... na Liga Orangina. Viva a Copa América!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Problemas de comunicação

Bruno César falou. Pior, Bruno César falou sobre Pablo Aimar. É grave. Ouvir Bruno César, na sua verborreia sub-futeboleira, elogiar os elogios de Aimar e a arte maior e o talento distinto de Pablito é equivalente a ouvir Tino de Rans comentar a presidência de Jorge Sampaio ou Zé Cabra dissertar acerca das propriedades únicas da voz de Camané. É aflitivo ouvir esta figurinha, que não acerta sujeito com predicado, plural com singular, desrespeitar, discursando em ignorância, tão nobre sujeito cujos predicados singulares tanto me encantam. É ofensivo. É medonho. Bruno César quer “imitar Aimar”. Para começar, que aprenda a falar – arte em que o elevado argentino é tão elegante quanto na recepção do passe ou na entrega aveludada de uma bola que rasga a defesa. Não tenho dado muita atenção à pré-época, mas há uma realidade que ganha contornos: este número 10 brasileiro tem tudo para ser o próximo Kardec do meu coração.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A votos, que nem Fernando Nobre!

Quem me lê com regularidade, saberá que não sou indivíduo apto para grandes exercícios de raciocínio. Nesse aspecto, comparo-me despudoradamente a Marcelo Rebelo de Sousa: olho para as coisas e, em lugar de pensar sobre elas, questionando e propondo, não, vou directo ao assunto e digo o que se me afigura mais óbvio, evitando correr riscos desnecessários. Ter ideias é, para mim, uma coisa cansativa, aborrecida, no limite, arriscada. Não. Prefiro sossego. Tudo isto para introduzir o tema que justifica o título do post. Estive de férias e não vim à internet. Quando regressei, fui ver os meus dados estatísticos e deparei-me com um rôr de visitas absolutamente injustificadas. Fiz o óbvio e busquei os links que traziam os estimados leitores a este recanto penumbroso da futeblogosfera. Deparei-me com este estimável blogue como municiador principal das vossas visitas. Fui tentar perceber porquê, mas não consegui. Por que raio havia tanta gente a ler-me quando eu não escrevia e, afinal, ninguém me linkava? Era para mim um grande mistério. Acontece que eu não sou mesmo, mesmo burro, sou apenas um pouco distraído. Hoje, ao abrir novamente esse notável blogue, apercebi-me de que, afinal, está aberta uma votação para eleger "O Melhor Blogue Benfiquista" da actualidade e que, muito mas mesmo muito honrosamente, o vosso pequeno 227218, coisinha nascida aqui há meses, se encontra no elenco dos distintos a votos. Não quero aqui fazer campanha - este número de sócio está mais que habituado a perder. Quero apenas agradecer a amável e, permitam-me a falsa modéstia, completamente imerecida nomeação. Muito obrigado e bem-hajam.

Todo o adepto de futebol que se preze deveria publicar este excerto:

"Nós, os adeptos dos clubes, somos os únicos que apenas pagamos e nada recebemos, os únicos que não traímos, que ficamos, de ano para ano e de geração para geração, a apoiar, em boas e más horas, um grupo que julgamos serem o nosso clube mas que, no essencial, mais não são do que um conjunto de profissionais reunidos ad hoc e que ali estão provisoriamente à espera da primeira oportunidade em que lhes ofereçam bom dinheiro para trocarem de cores, de clubes e de auto-proclamadas fidelidades."

1) O texto é do Miguel Sousa Tavares, mas pouco me importa: podia muito bem ser meu, desta vez. Nunca imaginei dizer isto na vida, mas estou absolutamente com ele.

2) Reflectindo sobre o que está acima, mais me choca que o Benfica tenha desprezado (uma vez mais...) um dos raros exemplos de lealdade clubística. Por que me choca? Porque se deixa ir embora, a custo zero, o capitão Nuno Gomes para dar lugar a bardamerdas mercenários para quem a palavra "Benfica" significa o mesmo que "Atlético de Madrid", "Sporting" ou "Palermo": um clubezeco de segunda linha em quem a verdadeira Europa pode pôr os olhos. Não passamos de olheiros dos reais madrides, dos chelseas, dos milões e dos manchestéres. E isso é triste.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Estratégia duvidosa

Aparentemente, o Benfica comprou Enzo Pérez, um extremo-direito do Estudiantes. O Jogo, na reportagem que hoje apresenta sobre o craque, diz que Pérez disse "quero lançar-me de cabeça no Benfica". Na mesma peça jornalística, Nestor Sensini avalia o jogador. O antigo defesa afirma que Pérez é craque, forte em quase todos os aspectos e que o seu ponto mais fraco é o cabeceamento.