terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Não quero mal ao Sporting

Conheço boa parte dos 37 sportinguistas funcionais e convictamente activos que restam. Mais precisamente, conheço quatro. É gente que me merece respeito e é por eles e por calcular que, como eles, existirá mais gente de bem a fazer esta penosa travessia de sabe-se lá o quê para vá-se lá saber onde que me controlo. No entanto, que fique claro que não me esqueço de quem, em tempos quase longínquos, espezinhou e tentou humilhar o Benfica, ao ponto de nos vermos obrigados a mandar um egípcio muito moreno e fininho a Alvalade explicar ao André Cruz como se marca um sacana dum livre, por um lado, e aos sportinguistas em geral, por outro, como se enfia uma rolha inchada num buraco estreito e cheio de gás, como o é o gargalo apertado de uma garrafa de espumante baratucho.

Regressei da tournée londrina com um único objectivo: assistir mais ou menos sentado ao Sporting - Benfica desde o seu primeiro minuto. Foi, aliás, uma viagem toda ela contorcionisticamente encaixada entre jogos: partida na manhã imediatamente a seguir ao Barcelona D - Benfica e regresso a tempo de ver o kick-off de Alvalade. Infelizmente, a linha encarnada do metro de Lisboa é muito mais comprida do que parece nos desenhos e demorei cerca de 57 minutos a chegar do aeroporto a Santa Apolónia, mais 12 minutos a subir meia colina com a mochila a rebentar pelas costuras às costas, o que fez com que tivesse chegado à Típica a horas mais que suficientes para irmos já com três de avanço. Para meu espanto, estava zero a zero e eu pressenti que algo estava errado. Indaguei e concluí que era engano meu, impressão minha, pois o Tacuara estava em campo.

Na balbúrdia apática de quem ganha só três a um a um rival decrépito houve quem declarasse desejar ao Sporting a descida de divisão. Há sempre gente que exagera nestas coisas e eu também não me esqueço de quem, em tempos praticamente medievais, espezinhou e tentou humilhar o Benfica, ao ponto de nos vermos forçados a enviar um maxerrequino escanzelado a Alvalade para demonstrar ao André Cruz como se marca um sacana dum livre, por um lado, e indicar aos sportinguistas em geral, por outro, como se enfia uma rolha inchada num buraco apertado e cheio de gás, como o é o gargalo estreitinho de uma garrafa de champanhota da Bairrada. Porém, sou magnânimo e aprendi com os anos a perdoar. Os meus desejos para esta época não chegam a tamanha crueldade - são apenas três e pela ordem que se segue:

- ir de bigode ao Jamor fazer um piquenique de coiratos, febras e entremeadas antes de entrar - de novo: de bigode - no Estádio Nacional para assistir robustamente à final da Taça;

- ver o Lima fazer um póquer;

- festejar o título de campeão no Estádio da Luz, deixando a rotunda do Marquês vaga para os festejos da manutenção sportinguista.

2 comentários:

Germano Bettencourt disse...

Que esses 3 desejos se realizem, passam a ser os meuá 3 desejos, que esse bigode faça sucesso na Taça!

Abraço

Vareta disse...

Reculer pour mieux sauter, meu caro. Um ano de pousio a ver o que trará a próxima colheita. Que seria do sublime sem um bocadinho de desnorte? O do Sporting é um tempo quase geológico (e sim, temos calhaus: fica já espoletada a piadola fácil). Não temos pressa.

Boa sorte com os desejos.