quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A propósito da contestação sistemática a Jorge Jesus após qualquer desaire...

[Originalmente publicado no facebook.]

Não raras vezes dou comigo a pensar que um dos principais problemas do Benfica, se não mesmo o principal, é o severo excesso de benfiquistas. Esta matéria devia ser alvo de reflexão, porque se aos jogadores se lhes pede que honrem e dignifiquem a camisola que Águas, Eusébio, Coluna e Cosme Damião, ele próprio, usaram, aos adeptos não deve exigir-se menos do que dignificar as bancadas - ainda que metafóricas - em que o meu Avô sentou o rabo.

Por vezes sinto que há muito quem se afirme Encarnado - e acredito que acreditem que o são -, mas que, na verdade, nasceu com outras vocações clubísticas. Como diria a Merkel, não temos todos de ser doutores, também fazem falta canalizadores especializados; da mesma forma, não temos todos de ser d'O Grande.

Estes adeptos a que me refiro encaram muito mal duas situações. A primeira é a derrota. Por alguma razão estranha, consideram ultrajante que o Benfica possa algum dia perder. Quando tal sucede, olham para o universo em busca de um sinal, de um indício, de uma pista que lhes possa sugerir um culpado. Normalmente, o culpado é "o Jesus". Se não for, é provável que a culpa seja do árbitro.

O que nos leva à segunda situação que esse tipo de benfiquista tem grande dificuldade em digerir: a existência do adversário. Para esse benfiquista, os 11 elementos do outro lado do campo são pinos que precisamos de contornar de modo a obter vários golos e assim cumprir o que estava destinado desde sempre: ganhar todos os jogos e de goleada. O próprio desafio, em si, a chamada "partida de futebol", é um mero cumprir de protocolo, necessário para validar as vitórias futuras.

5 comentários:

Dr. Ghozé Pablito disse...

É que é mesmo isso!

pedropisco disse...

totalmente de acordo

Bruno Pereira disse...

Tu não viste bem os falhanços do Jesus contra o Zenit só com o GR pela frente??? E ainda dizes que o homem não tem culpa??? Mais aqui:
http://orgulhosamentelampiao.blogspot.pt/2014/11/crucifiquem-no-crucifiquem-no.html

moreira disse...

Estes discursos são parecidos, aos discursos que se faziam há uns anos atrás.
Nesses discursos também se dizia que ninguém tinha culpa.A culpa era dos avançados que falhavam golos feitos e dos g.r. que davam frangos,etc.,etc.,.
O Benfica não foi feito desta maneira.
No Benfica tem de haver critica, doa a quem doer e tem de haver ambição de ganhar seja a quem for.
Se essa ambição não é mostrada pelos responsáveis os atletas acomodam-se e desde que o salário lhes seja pago, continua tudo bem.
Relativamente às ironias estou farto delas porque me lembram alguém que com as suas ironias tanto tem prejudicado o SLB.
Viva o Benfica

Diego Armés disse...

O texto, passados quatro dias sobre a histeria colectiva, perde actualidade e fica fora do contexto. Como é evidente, a crítica deve existir. Não me passaria pela cabeça fazer uma apologia do laxismo.

Mas ter espírito crítico, pensar no Benfica, analisar a realidade e compreendê-la não deve implicar o recorrente - do qual também eu estou farto - "rua Jesus, já!" ou o bota abaixo semestral "era correr com eles todos" (normalmente acrescido de "há anos que eu digo isto"). Pensar e criticar também têm as suas exigências e, pelo que observo, nem todos estão à altura da tarefa.

Posto isto, que se exija o melhor de cada um e todos, que se corrija, na medida do possível, o que está errado e que se seja justo na hora de criticar.

Viva o Benfica!