terça-feira, 11 de agosto de 2015

Joly há-de crescer

Há uns anos, fui com um amigo até ao Cais do Sodré. Costumávamos sair um bocado, normalmente até às tantas, sempre que ele vinha a Lisboa. Ele é do Porto e é portista, já agora, mas é bom rapaz. Nessa noite encontrámos um amigo dele, alguém com quem já tinha partilhado palco ou estúdio, não me recordo bem. Prosseguimos juntos, os três, uma tranquila maratona de copos percorrendo categorias diversas de álcool, acompanhando sempre com conversa e muitas histórias.

Lembrei-me hoje de uma dessas histórias, contou-ma o outro rapaz, que se lembrou dela quando viu entrar, Oslo adentro, fogosa e enérgica, uma prostituta anã. Parece então que, na terra desse rapaz, uma aldeia nas costas do desconhecido e de frente para o inexplorado, "num recanto", dizia ele, "lindíssimo, uma coisa inexplicável, cheio de riachos e canaviais, mato rasteiro na planície baixa e árvores tortas quando as encostas se inclinam", lá nesse pequeno paraíso que há-de ter nome de santo ou de santa, havia uma mulher que não conseguia ter filhos. O marido acabou por deixá-la, alguns anos depois do casamento, que foi consumado mas que não deu frutos e que assim, estéril, continuou, estação após estação.

A mulher, abandonada e seca, não se conformava. Toda a aldeia paria, só ela é que não. Os anos passavam e ela, que já não era abastada de beleza, envelhecia e via-se a desesperar. Até que um dia passou o circo lá pela terra. Não ficou muito tempo, foram três ou quatro dias. Mas foi tempo bastante para que a mulher tivesse conhecido uma das atracções, um anão ruivo a quem chamavam Joly. Para surpresa de todos e por obra de misteriosos encantos, Joly abandonou o circo e ficou a viver em casa da mulher. Assim, de um dia para o outro e sem darem, nem um nem outro, explicações a ninguém.

E viveram juntos, vários anos. Ninguém sabe se eram felizes ou não. Eu acho que não foram. O tempo passou e chegou um novo Verão - há sempre um Verão fatal numa aldeia - e com o Verão veio um novo circo. Ainda a tenda principal não estava montada e já a mulher levava Joly pela mão, praticamente arrastado, esperneando e barafustando. O povo espreitava das janelas e das ombreiras das portas. A mulher foi reclamar com o director do circo. Ninguém conseguiu perceber os detalhes da conversa, mas toda a gente ouviu quando a mulher berrou "MAS ACHA QUE EU QUERO FICAR COM ELE?! ENTÃO SE O MIÚDO NÃO CRESCE MAIS QUE ISTO!..."

A história teve muito mais graça ao balcão do Oslo às três da manhã, a matar a sede com Bushmills. Mas hoje lembrei-me dela várias vezes, sempre que lia alguém na internet a defender que devemos "dar tempo a Rui Vitória" para "deixá-lo crescer".

4 comentários:

nonameslb disse...

Muda-te para os lagartos e tens o problema resolvido.

Manuel disse...

LOL!!

daniel duarte disse...

Ahah... Muito bom... Hei-de "roubar" esta e contá-la em muitos balcões a matar a sede com bushmills...

moleculasdeamor disse...

Uma das situações mais deliciosas é o não gostas do Benfica... malandro... é MUITO BOM! MESMO!, realmente... olha pá nunca vi o Guimarães nem quando jogou com o Benfica essa é que é essa... se o Benfica não apresentar uma ideia de jogo nas próximas 4 partidas oficiais, deve-se despedir o treinador, se o Benfica jogar futebol... eh pá pronto que fique... até agora foi a altitude os fusos horários, o temor de Jesus (que acho fabuloso, mas pronto é humano)... aguardemos, mas para mim é muito claro isto... quem diz que via os jogos do guimarães aquilo era pontapé para a frente, que foi o que observámos neste Domingo, mas às vezes as pessoas têm problemas de visão, têm mesmo... vi futebol jogado em algumas partes de jogos da pré-época... aguardo com interesse...