domingo, 12 de maio de 2013

Não nos veremos domingo no Marquês

Não aconteceu o pior que nos podia ter acontecido para que pudesse suceder o mais cruel que pudéssemos imaginar. No fundinho mais recôndito do meu íntimo existia um resquício de receio, daqueles que uma pessoa nunca admite que existem, de que uma tragédia de grandes proporções pudesse acontecer - não que fosse provável; mas nos clássicos sabemos que tudo é possível. Porém o Lima, que não é de pessimismos, decidiu meter a bola na baliza correcta e fez-nos vibrar, fez-nos definitivamente crer que éramos realmente mais fortes do que este Porto. Este é o Benfica mais forte de que me lembro, já agora.

Tudo estava a nosso favor. Faltavam 70 minutos para sermos campeões. Mas depois o Maxi e o Artur enfiaram, em conjunto, a puta da bola na baliza errada. Faltavam não sei quantos minutos, mas eram menos que 70, para o fim do jogo. Já não seríamos campeões ali, onde devíamos. Mas seríamos campeões daqui a uma semana, seguramente.

E depois um tipo com um cabelo horrível, chamado Kelvin, fez uma coisa inacreditável: um golo quando faltavam menos de 3 minutos para o jogo acabar e nós não fomos nem seremos campeões. O cosmos às vezes é um bocadinho filho da puta comigo.

Estava eu a pedir a vitoriosa - é a Sagres com que habitualmente encerro as partidas em que ganhamos vantagem, de alguma forma (normalmente, ganhando o jogo) - e já nem fazia questão de regressar ao meu lugar, disse eu assim a alguém ao meu lado «pronto, não vamos hoje ao Marquês, mas vamos para a semana», quando nisto olho para a televisão e tenho uma alucinação esquisitíssima na qual o que aparentava ser um objecto redondo estava a entrar numa baliza muito muito parecida com a do Benfica e então penso para mim «não devias ter pedido esta, Diego» e a seguir, com a Típica feita sepulcro, vejo uns homenzinhos vestidos de azul muito contentes e aos pulinhos e o Jorge Jesus ajoelhado no chão, dou mais um gole na Sagres, deixo-me cair também de joelhos, peço para regressar ao meu lugar. Sentei-me, não sei se com as mãos na cara se com a cabeça nas mãos, o coração ficou-me nos calcanhares, talvez, o estômago estava-me aqui na garganta e fiquei em silêncio, longamente em silêncio, só a desejar que o jogo acabasse depressa para que pudesse rapidamente começar a recuperar-me desta traição colossal, a colar os cacos de um espírito estilhaçado, a juntar as poucas forças que me restavam para beber aquela e pedir mais uma e depois outra e outra a seguir.

Recusei, muitos minutos mais tarde e embalado com Jameson e bagaço Rochedo, a possibilidade de ainda sermos campeões: não quero. E no próximo domingo, se tudo correr bem, estarei de folga do Benfica a comer entrecosto e entremeadas com o meu pai e a beber um bom vinho tinto, correndo o risco de ter o Paços de Ferreira a substituir-nos na função de ganhar o campeonato, que era obrigação nossa. Não quero saber: este campeonato acabou ontem e o Benfica perdeu. Parabéns aos vencedores e honra, muita honra, a estes maravilhosos vencidos. E agora venham de lá esses chelsios.

2 comentários:

Germano Bettencourt disse...

Diego, como me dói!!!

Pedro disse...

Como me doi tanto aceitar que perdemos! como me doi sabendo que quem nao merece sempre vence! Benfica eu amo-tee! JJ és enorme! e merecias ganhar !