terça-feira, 2 de outubro de 2012

Coincidência, dizem eles

Sé é dia de Benfica, visto encarnado ou o que tiver disponível que mais se aproxime do nosso tom. Se aquela t-shirt vermelho-berrante estiver lavada e disponível, nem hesito: é mesmo essa que vai. Isto, quer seja em dia de acabar no Estádio da Luz ou de, por exemplo, terminar em cima de um palco, nesta cidade ou em qualquer outra. Não se trata sequer de uma superstição. É, muito antes disso, um sinal de solenidade e de respeito pelo momento: o Benfica vai jogar e eu estou com o Benfica. É isso que representa e significa. Não o faço para me dar sorte ou para evitar o azar. Visto-me assim para que fique claro que, esteja onde estiver, estou connosco [não é gralha: estou connosco]. Da mesma maneira que trago a fotografia da Lady Verde na carteira – sim, pode ser kitsch, sim, pode não servir para nada. Mas gosto de a ter comigo, estejamos onde estivermos, qualquer um de nós. As paixões são assim.

No metro, na rua, mesmo no trabalho, encontro muita gente com tons fortes de vermelho vestidos. Podemos fingir que é coincidência; podemos especular que se deve à minha atenção hoje especialmente focada em tudo o que me sugira o Benfica. Eu aceito ambas, sem reclamação. Embora contraponha, sem dificuldade, que somos um povo de cinzentos e castanhos, preto e branco ou azul escuro. As cores fortes e garridas e sobretudo as Camisolas Berrantes não saem da gaveta sem um propósito concreto. Somos gente discreta, não gostamos de dar nas vistas nem de ser olhados por desconhecidos. Focamo-nos no chão e nem damos pelos transeuntes, convenientemente vestidos de cores neutras ou outonais. Porquê, então, tanta gente de encarnado vivo hoje nas escadas rolantes do Marquês? E no metro de Santa Apolónia? E à espera do próximo em cada estação? E na rua?

O que se passa é isto: saímos à rua cheios de fé, juntos pelo Benfica e orgulhosamente Benfiquistas. Cada um com a sua fantasia – todas juntas, perfazem o sonho comum: a Nossa vitória. A minha fantasia, já se sabe, é o poker do Lima.

1 comentário:

Germano Bettencourt disse...

O Lima ficou só a 4 golos do Poker, mas podia ter marcado pelo menos 1.

Não gostava do futebol do Barcelona, agora ainda menos. Aquilo não é futebol, é brincar ao meiinho, como escrevi no meu blogue.

Vamos ganhar a Barcelona. lol. Mas mesmo sabendo que vamos lá perder, sou capaz de dar um saltinho dos Açores a Barcelona. É caso a pensar.