quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Cambada de impagáveis, é o que eles são!

O negócio, afinal, não é dinheiro. Leio a imprensa desportiva do dia e fico desapontado comigo mesmo, com a minha má fé, por ontem ter pensado e escrito – apetece-me sempre que o particípio passado de «escrever» com o verbo «ter» seja «escrevido», não sei já o tinha dito – que o dinheiro é que fazia a terra dar umas voltas. Witsel, para começar, não se fez vender ou negociar pelo “dinheiro”, essa motivação frívola, incompleta, moralmente pobre. Nada disso: Witsel foi para o Zénit pela razão mais simples que existe, no fundo: porque qualquer jogador sonha jogar no Zénit - ah!, viver na bonita S. Petersburgo, desfrutar do seu clima ameno e das tardes plácidas nas margens do Neva. E claro «dar um passo em frente na carreira», assim se refere o pai de Witsel a esta passagem do belga de Lisboa para a antiga Leninegrado. O médio não queria renovar o contrato com o Benfica, nem mesmo antes de ter, preto no branco, uma declaração de amor de quase 5 milhões de euros por ano, pagos pela Gazprom, porque simplesmente ambicionava, um dia, vestir aqueles bonitos bibes em azul-bebé. Fica claro que o interesse do jogador nesta mudança é puramente desportivo, diria quase sentimental – e olhando para o palmarés dos russos, percebe-se o porquê. Não há Real Madrid nem Bayern Munique que lhes faça sombra. Fico feliz não só pela realização do sonho do pequeno Axel; mas mais feliz fico pela sua sobriedade, que não se deixa embevecer nem deslumbrar com contas bancárias principescas.

Quem também diz que afinal a cena não é os euros é Cristiano Ronaldo. Este caso já não me deixa tão feliz, uma vez que estava a vislumbrar em Cristiano um símbolo da minha luta pessoal contra esses aldrabões das finanças e dos impostos. O que é então que o deixa infeliz, miserável, taciturno, melancólico, deprimido? Cristiano, enigmático, não esclarece. Diz apenas que, um dia, há-de provar-se que não era o dinheiro que o entristecia. E não me custa acreditar. No caso de Cristiano – e de Witsel, já agora – suspeito que o dinheiro não seja a parte mais deprimente da sua vida.

2 comentários:

Germano Bettencourt disse...

Nem mais meu Master. Pensei exatamente o mesmo que o senhor quando li aquelas palavras no jornal.

É bonito ver que ainda existem valores acima de valores. Eu fico confuso é com a ordem dos valores.

Abraço

bjorn disse...

então, n é evidente? o belga atingiu o zénite, o madeirense queria lá chegar! os bibes ficariam mesmo bem com os terços cr7!
E o calor estival madrileno? Nem dá para dormir, e a gaja sempre a dizer "déviamózéstarnãminhãpaís"! é uma dor de alma