quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mau Benfiquista, me confesso

Não que eu queria meter-me nesse assunto que me transcende, o do “bom Benfiquismo”, pois, pelo que tenho lido um pouco por toda a parte, depreendo que sou um dos piores Benfiquistas da actualidade, senão mesmo o pior. Por um lado, acho que o Luís já presidiu o que tinha a presidir e que o lugar exala um odor bafiento – buuuuuuuuu, que anti-Benfiquista que eu sou. E acrescento que a pré-época que findou talvez tenha sido – talvez – a mais mal planeada dos últimos oito ou dez anos – um ultraje estas coisas que eu penso e que eu digo, então se a equipa funciona e se vai em primeiro, que mal tem se faltam meia-dúzia de jogadores fundamentais? La nave va… Deixá-la andar, para a frente é que é caminho. Eis que, de repente, dou por mim e não estou empoleirado na janela a arrancar cabelos e a gritar «acudam, acudam, que aqui há tragédia!» depois de um empate a zero com o Celtic, em Glasgow, na Liga dos Campeões – ui ui ui, que eu sou mas é adepto do benfiquinha, não valho nada, por isso é que isto está assim!

Está visto que para adepto não sirvo. No entanto, aqui estou. E lá estarei, nos próximos sábados e domingos e terças e quartas-feiras. Dou o que posso e acredito no que acredito, criticando o que achar que tem de ser criticado. E há tanta coisa que merece crítica neste Benfica… Da direcção do clube à gestão do futebol, de certas opções do treinador à postura inenarrável de Gaitán (um dos jogadores que mais me embaraça nesta equipa), há todo um universo criticável no Benfica de hoje.

Por exemplo, no jogo de ontem. Tenho uma ou duas críticas a fazer. Primeiro, acho que o Jorge foi um bocadinho coninhas. Os gajos são fraquíssimos. São muito toscos, têm uma série de debilidades. Defendem com rigor, é certo, e são muito físicos na abordagem ao jogo, confere. Mas podíamos e devíamos ter arriscado mais. Digo isto tão enfaticamente quanto um treinador de bancada deve fazê-lo, até dei uma espécie de palmada na mesa enquanto o escrevia – e até é por isso que estou a demorar mais a escrever este texto, porque me farto de gesticular enquanto o escrevo. Chego mesmo a vociferar quando o entusiasmo é maior. O Jesus devia ter metido o pé na porta, porra!

Também não gostei do Gaitán. Não gosto do Gaitán. Pode ter o talento que lhe apetecer: odeio vê-lo com aquela camisola (e ainda mais com a outra toda encarnada), por mais talentoso que aquele jovem calão, maldisposto, contrariado, infeliz, mau companheiro, convencido e insolente possa ser. E nem vou explicar por quê. Não entendo, no seguimento desta ideia, como pode o Nolito, exemplo de esforço e de abnegação, aos quais junta uma produtividade notável, ser suplente. Também acho, no mínimo, questionável que se adapte um Enzo Pérez a interior quando se tem no banco um Bruno César. É a minha maneira de ver as coisas. E que, na ponta final da partida, se tire o Rodrigo em vez de se apostar na dupla de pontas-de-lança que tão bem tem funcionado. Pronto. Tenho aqui uma série de críticas.

Não sei se foi por tudo isto que o Benfica só empatou ou não. Mas pode ter sido. O empate soube-me a muito pouco. Temos, apesar dos rombos no plantel, equipa que chega e que sobra para estes senhores. Se podíamos ter ainda melhor equipa? Pois claro que podíamos. Sucede que não temos. E eu, se não se importam, vou apoiar a que temos porque é que com estes jogamos, são estes que me defendem as cores, não os fantasmas daqueles que se foram embora para subir na carreira (curioso que tenham perdido os dois). E espero que estes nossos meninos, os que ficaram, nos próximos jogos mostrem mais cojones, que aquilo de ontem foi uma amostra pobrezinha. E até lhes deixo aqui uma garantia: não hão-de ver-me assobiar um Enzo Pérez ou um Melgarejo só porque o Witsel foi vendido ou o defesa esquerdo não foi comprado.

É isto que penso. Já sei que há-de haver quem considere esta postura como “conformista com a mediania e a mediocridade”. A essas pessoas, aqui fica o meu pedido de desculpas por ainda não estar à janela e a arrancar cabelos enquanto grito «acudam, acudam, que aqui há tragédia!».

3 comentários:

Pedro Ribeiro disse...

é o drama e o horror num estúdio a imitar o Iraque.

Germano Bettencourt disse...

Também não percebo o porquê das classificações que se fazem aos adeptos. Dos Vieiristas aos Anti-Vieira, existe uma coisa que tenho a certeza, TODOS QUEREM O BEM DO BENFICA. O resto é campanha...

Mas gosto de um Benfiquista que demonstra aquilo que é, indo aos jogos. Quando for a Lisboa (e vou brevemente), pode ser que te encontre num desses jogos na catedral, e no dia seguinte escreva aqui, "ONTEM VI-TE NO ESTÁDIO DA LUZ".

Um abraço de um Benfiquista, bom ou mau, um Benfiquista.

Hattori Hanzo disse...

Concordo em parte contigo: Vieira (e já agora Jesus) estão a mais no clube e já deviam ter saído... mas o resultado não foi mau!
Só não concordo com a parte do "coninhas" do Jesus porque para o que tínhamos até penso que ele fez o correcto (e acho que o Enzo Férias segura melhor o meio-campo que o Bruno César até porque sempre me pareceu que ele era um médio mais central que extremo como vinha rotulado... claro que se fosse eu a mandar depois da "brincadeira" do ano passado o argentino nunca mais teinha metido os coutos na Luz, mas isso são outras estórias :))