terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sevilha e Ibiza

Mulheres. As mulheres são extraordinárias. Sobretudo as mulheres do Sporting. São de tal maneira uma maravilha que arranjei uma para mim. Espectáculo. Estávamos em Punta Umbria, depois de uma pernoita que teve mais de necessidade do que de gosto – não é um sítio particularmente apetecível; não desgosta, mas também não encanta – e preparávamos a partida para Sevilha, que fica perto, a cerca de hora e meia de distância. Preparava-me para desarmar a tenda quando reparei que o parque tinha Wi-Fi de acesso livre. Antes de ir ver o e-mail, abri, como é hábito, o site d’ A Bola. Isto foi na manhã seguinte à vitória do Benfica por 5 a 2 sobre o Real Madrid e a Bola fazia questão de o noticiar com pompa. Apesar de ter achado o resultado curtinho pensei para comigo que, estando em Espanha, o assunto podia ser no mínimo assinalado, vá. A Lady Verde (ainda) não sabia, mas eu tinha levado na mochila A Camisola para poder vesti-la nos dias de festa. Toda a gente sabe que os espanhóis vestem muito as camisolas dos clubes de que gostam. E eu vá, em Espanha, sê espanhol. Levei a minha do Benfica. E a ocasião, uma vitória, ainda que aflita, sobre o principal símbolo futebolístico de Espanha, pareceu-me motivo suficiente para ostentar a Digníssima com orgulho e uma certa vaidade. Por uma questão de respeito – e porque o carro não é meu –, comuniquei a minha intenção á Lady Verde «olha, querida, hoje vou vestir A Camisola…» e ela «camisola? Qual camisola? Estão mais de trinta graus, veste uma camisa», «não, baby… A Camisola… O Manto… A Digníssima». Houve uma pausa – mas uma pausa cósmica, a realidade parou, a minha batida cardíaca suspendeu-se temporariamente, ninguém respirou durante aquele bocadinho – até que ela disse «mas o quê, tu trouxeste isso?» e eu «sim e estava a pensar vesti-la hoje… o Benfica ganhou ontem ao Madrid… não achas fixe?». Ela encerrou a conversa assim «olha bem para a minha viatura: parece-te um Seat Ibiza amarelo kitado, por acaso?» e eu fui vestir uma t-shirt cor-de-laranja.

5 comentários:

Berrante De Encarnado disse...

Eh eh, muito bom.

Tenho saudades destes tempos.

Cumprimentos Benfiquistas

bjorn disse...

And thats it?? Se o manto te acompanha é para ser vestido, digo eu, senão bastava-te um porta-chaves. E quem nos acompanha deve habituar-se às idiossincrasias foleiras de um doente de futebol, acho que a troca de camisola foi uma pata na poça pedagógica.
Mas são extraordinárias, efectivamente.

Meneldor disse...

Que desilusão! Comecei a ler e à medida que avançava um sorriso ia aflorando à minha cara. Lindo!-pensei, já a imaginar o que se seguiria. E no final, isso?! Para mais na presença de uma lagarto?
Eu antes queria ir a pé mas o Manto ia vestido, porra!

littbarski disse...

Há coisas mais importantes do que a camisola de um clube e uma vitória de pré-temporada. O texto, para além de bem escrito, teve piada. E para mim, que sou portista, isso vale muito mais do que qualquer manto vermelho sagrado. Ainda se fosse a camisola azul e branca do Nélson Oliveira... Além disso, Sevilha, no Verão, é um inferno - um inferno bonito (à noite), com mulheres espectaculares, mas, ainda assim, um inferno (o que, admito, para um benfiquista, até pode ser apelativo). Prefiro a Corunha, muito mais fresquinha.

Germano Bettencourt disse...

Uma estória tão bonita mas que acabou mal. É a vida real.

Obrigado pelo regresso. Já tinha saudades.

Abraço