segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As minhas férias - resumo de uma forma geral

Fui de férias. Estive verdadeiramente de férias. Acabou o Europeu e eu fui-me embora. Tirei férias do futebol, do desporto e até do Benfica (não d’ O Benfica; tirei férias do Benfica instituição que anima tradicionalmente as silly seasons, vendendo, anos a fio, o Cardozo e comprando, época após época, um defesa esquerdo, de preferência aquele argentino que joga na Rússia – não me lembro agora do nome dele… Laqualquer coisa, acho eu. Tem os cabelos compridos).

Estar de férias é uma condição instável. A noção de que a pessoa de férias está num ambiente paradisíaco, acordando, vivendo e adormecendo cheia de bonomia, é equivocada. A supressão de determinadas rotinas e confortos, tiques quotidianos, sítios, pessoas e objectos deve – tem de – ser compensada por novas formas de entretenimento ou distracção, um contexto esteticamente impressionante, quiçá exotismos que passem a ideia de que “esta não é a tua vida – mas não tem importância porque é melhor ainda” e outras patranhas que permitam ao indivíduo em férias manter-se são apesar de não ter horários nem fazer uso da sua chave de casa. Há quem aproveite para ler, para cozinhar, para apanhar sol, para jogar aquele jogo das raquetes ou à sueca, comendo e bebendo bem. Eu fui mordido por um cão, para começar.

Começar as férias com buracos no pulso e a mão direita pendurada – bizarro? Nem tanto. Chamemos-lhe “invulgar”. Em três semanas a situação melhorou bastante e as duas cicatrizes hão-de lembrar-me sempre os dias felizes que tive o privilégio de viver. Duas dentadas (o bicho também me furou umas costelas – mais uma cicatriz) são coisa pouca. Dois dias e vinte cañas sevilhanas depois já nem me lembrava do episódio domesticamente violento.

Do ataque selvático, há uma lição que retiro. Os cães, mesmos os domésticos, são bichos e os bichos são, por sua vez, animais. E nos animais nunca fiando. São criaturas nem sempre previsíveis ou controláveis, susceptíveis de se enervar. Um homem quando se enerva fica irritado; um animal quando se enfurece, ataca. Pelo menos com este foi assim. A parte boa é que não me atirei para o chão, a fingir que tinha desmaiado. Fui meter uns pensos e pronto.

3 comentários:

Ricardo disse...

Voltaste sem falta de rotinas. Titular indiscutível a época inteira. És tu e o Maxi.

Sandinando Sófacles disse...

Nada como um regresso em grande para compensar as saudades, pá!

Germano Bettencourt disse...

A última frase está muito boa. Mas já agora, que raio fizeste tu ao cão para ele te morder, só porque sim?

Abraço