quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Duas coisas que fazem pouco sentido...

... ou nenhum, mesmo. Mas não vou elaborar, estou em modo quase telegráfico, não há tempo para tudo. De qualquer modo, o sentido que as coisas fazem é sempre questionável. O título devia ser outro. Qualquer coisa como "alguém quer ter a amabilidade de me explicar por que é que isto é assim?". Mas pronto, agora está escrito, está escrito.

Primeiro, vamos à imprensa. Carlos Machado escreve uma boa crónica n' O Jogo a propósito do estatuto de Ferguson. Machado fala da imunidade de Ferguson, enquanto "Ferguson", aos maus resultados e explica por que motivos e de que maneiras o treinador se transformou naquilo que é: um monstro inderrubável em Inglaterra, alguém inquestionável no Manchester United (mesmo depois de perder 6 a 1 em casa com o Sporting local) e uma personalidade temível no próprio balneário. Compara-se ainda Ferguson a Mourinho e chama-se-lhe o "penúltimo dos imortais" (sendo Mourinho o último, porque é mais novo). O texto é tão cheio de correcção e tão certeiro que é uma pena que me mereça reparo. Porém, Carlos Machado diz que "Ferguson é o modelo zero dos especiais". Permita-me que o corrija: eu acabei de ler o Damned United. Não tendo maneira de provar que há modelo anterior, atrevo-me a dizer que o modelo zero do "especial" é Brain Brian Clough.

Segundo, vamos excepcionalmente aos nossos queridos adversários, cuja agitação e euforia, num caso, e a depressão e o cepticismo, no outro, me surpreendem. Portanto, uma equipa é primeira do campeonato, ganha 5 a 0 em casa, tem tudo para passar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões - é questionada nos jornais, fala-se em "crise", um dos avançados auto-flagela-se com uma pintura de cabelo absolutamente ridícula e dão um Dragão de Ouro ao Brutus lá da casa. Uma outra equipa, da qual não vou dizer o nome - não podendo ser o Atlético de Lssboa, que esse já existe, pode ser o Lisbon City, vá -, ganha dez jogos (é um belo registo, não haja dúvida), classifica-se para os 16 avos-de-final da Liga Europa (não é mais que a obrigação, digo eu), ganha um jogo 6 a 1 e é terceira classificada na Liga - os adeptos apregoam grandeza, ameaçam com humilhações aos rivais e iniciam os preparativos para o acolhimento do troféu de campeão nacional. Não quero com isto desfazer das exigências de uns nem da boa época de outros. Estou só a observar Benfiquistamente, aqui na minha poltrona encarnada...

5 comentários:

Luis Rosario disse...

Oi Diego

Typo: Brian not Brain Clough

Dar uma volta nos registos do youtube para ver BC a falar com os reporters é qq coisa de fabuloso. Era definitivamente brilhante. Quem não conhece, não pode perder.

O Zbording já está em estágio, não se esperava outra coisa. Nós temos efectivamente muito que pensar até lá, e não é neles. Mas a nossa blogosfera hoje esteve muito focalizada no tópico, isso é verdade, mais por gozo do que por preocupação, mas ainda assim dando-lhes tempo de antena.

Diego Armés disse...

Quanto a Clough, nem é só ao nível do discurso e da postura. Tem mesmo a ver com palmarés e com um status que se conquista da melhor maneira de todas: ganhando sem misericórdia. Ele consegue fazer de equipas de segunda divisão campeãs de Inglaterra (Derby County e Nottingham Forest, sendo que aa segunda acabaria por ser bi-camepã europeia em anos consecutivos). O trabalho do Ferguson é notável (e demorou tempo a ganhar consistência), mas não sei qual será o mais meritório.

Quanto aos adversários, é apenas passatempo. No benfica está tudo normal. Vamos na liderança da Liga, vimos de vitórias, não temos derrotas. Não há motivos para euforias, que o fim da época ainda está longe. Mas estamos onde pertencemos, portanto não há razão para depressões.

Bettencourt disse...

lol...

Deixa os Sportinguistas festejar. Bem vistas as coisas, a época passada eram capazes de perder com um Famalicão (uma equipa da II divisão) e, com os 3 últimos classificados da liga. Pelo meio também eram capazes de perder com um Vaslui e com um zurique, portanto, e bem vistas as coisas, eles tem mesmo é de sorrir e viver cada dia como se fosse o último. Nunca se sabe quando os pés aterrarão em terra.

Um abraço

Mr. Shankly disse...

"o modelo zero do "especial" é Brain Brian Clough"

Então o modelo -1 é o meu homónimo.

Diego Armés disse...

Não conheço suficientemente o carácter do Bill Shankly enquanto treinador do Liverpool, mas parece-me que não tem exactamente este perfil. Estes três gajos geram ou amores cegos ou ódios de morte, são politicamente incorrectos, egocêntricos, megalómanos, geniais e vencedores. Líderes ímpares que dividem opiniões - sempre no limite. Do pouco que conheço de Bill Shankly, parece-me mais senhor de bonomia. Em termos de palmarés, também fica abaixo de qualquer um dos três (apesar de ter construído as bases do grande Liverpool - e é sobretudo isto que tem em comum com os outros: levar o clube a um nível que, até então, não era o seu).