quarta-feira, 4 de abril de 2012

A insustentável certeza do ser

Numa conversa de Benfiquistas, debatíamos as aterradoras possibilidades para a constituição da defesa para o jogo de logo. Maxi, Javi, Matic e Emerson? Maxi, Javi, Emerson e Capdevilla? Maxi, Witsel, Javi e Capdevilla? Maxi, Cardozo, Capdevilla e Rui Costa? Falávamos de todas estas possibilidades medonhas, partindo sempre do pressuposto de que Luisão não joga – atente-se que a possibilidade de Luisão jogar também não torna o panorama assim tão mais animador. A certo ponto da conversa, apercebemo-nos que atirávamos estas possibilidades e estes factos para a discussão como quem dá rebuçados pelo Pão Por Deus: sem grande ralação, como se nada fosse.

É notável como o futebol traduz e desmonta tão fielmente as barreiras ilusórias que a realidade supostamente nos impõe ou a pretensa inexorabilidade das verdades intransponíveis que nos bloqueiam. A realidade, não existindo em si mas sendo, antes de mais, a perspectiva individual de uma determinada existência, num determinado momento (e só mais tarde o somatório medianizado das várias perspectivas, excluindo-se as anormais ou divergentes, estabelece uma convenção: “a” realidade), é claramente ilusória. Já a verdade é um assunto muito sobrevalorizado, mais que não seja pelo seu carácter volátil e mutável. E qualquer fanático do futebol sabe disto, por mais que nunca tenha pensado no assunto.

«Estranhamente, nada disso me preocupa», acabei por confessar, a certo ponto da conversa. «Tenho uma sensação difícil de explicar, qualquer coisa que me diz ‘epá, tá-se bem, isto vai tudo correr na maior das calmas’, não sei porquê… já estou assim há uns dias». Não estou a inventar. Sim, perdemos um a zero em casa, eu sei que a nossa vantagem não é assim tããããão grande. E sim, eles têm um bom plantel. Caríssimo. E jogam à italiana. E nós temos o Jesus e não temos defesas-centrais. Mas não é caso para entrar em pânico. Os jogadores deles são melhores que os nossos? É possível, sim, já me ocorreu que assim seja. E, ok, serão 22 a 28 pessoas, muitíssimo bem pagas pelos seus serviços, a disputar uma partida de futebol da qual eu disto cerca de 2 mil quilómetros. Mas algo me diz que eu consigo ganhar a eliminatória. Pronto.

1 comentário:

Germano Bettencourt disse...

E quase tinhas razão.

Além do óbvio, que era a vontade do Platini, temos o Nelson que por inexperiência, em vez de passar a bola e isolar o companheiro, rematou torto.

Mas o espírito antes do jogo, deveria ser sempre esse. Não como se não te importasses, mas como se confiasses a 110% naqueles rapazes, sejam eles o Emerson ou o Aimar, para ir de um extremo ao outro.

Um abraço do Açoriano