terça-feira, 17 de abril de 2012

He shoots and he scores! Oh, what a lovely volley

Tenho andado a falar do futebol concreto e isso é coisa que me desagrada. Corrijo: tenho andado a falar concretamente de futebol e isso é muito aborrecido. Aquele futebol de enormíssimo desinteresse, do treinador que vai ou que não vai, da taça que se ganha ou que não se ganha, do que se passa mesmo ou do que se vai passar. Uma chatice. O futebol etéreo dá goleada a essa conversa sem jeito. Deixo aqui as minhas desculpas, meti-me a fazer de adepto com coisas para dizer, mas não de propósito, foi impulso mesmo.

Tentemos recuperar o lado poético da bancada e do relvado – mas não sei antes deixar uma nota breve: se eram mesmo Benfiquistas (e deixo a minha dúvida a negrito porque não sei fazer o sublinhado), aqueles encapuçados que esperaram a equipa e o treinador para os assobiarem e insultarem depois de conquistada a Taça da Liga, são uns encapuçados bastante estúpidos. Aliás, surpreendentemente estúpidos. Estúpidos ao ponto de ainda não terem compreendido, numa lógica caneciana, que ser o vencedor é o contrário de ser o perdedor. Fica o meu espanto, seguido do meu profundo insulto: vocês são estúpidos.

Mas entremos no futebol que nos entra pela vida adentro. Ela quer ir a Oxford Street e isto é uma extraordinária notícia. Ela quer ir a Oxford Street fazer compras – «fazer compras»: «comprar roupas que talvez um dia venha a usar, mas a questão não é essa, a questão verdadeira e propriamente dita é mesmo ir lá e comprá-las ou, pelo menos, poder comprá-las» - e isto é o chamado bis.

Começava a ficar angustiado. A possibilidade de ir a Londres e não conhecer Wembley estava a ganhar forma e substância: eu não tinha moeda de troca. Estávamos os dois muito de acordo, a fazer aquele papel, sempre cúmplice, de culto «ah, pois, a Tate, a National Gallery», de quem sabe o que quer «sim, sim, e havemos de sair à noite no Soho», de vá-lá-só-desta-vez-turista «e quero uma fotografia com o Big Ben lá por trás, não quero saber», de pessoa cosmopolita que gosta da cidade tal como ela é «e um fish and chips em Portobello».

A unanimidade é uma coisa muito apreciável mas, honestamente, estava-me a complicar uma série de planos: sábado à tarde de bola num pub cheio de ingleses, ir ao Emirates certificar-me se é gémeo verdadeiro ou falso da Luz e ir a Wembley porque ir a Wembley deve fazer parte dos planos de qualquer adepto do futebol, eram, até hoje de manhã, assuntos-tabu em toda a planificação da viagem. Escusado será dizer que nem regateei, «claro que sim, meu amor, até pode ser que encontre alguma coisa gira para mim». Um – zero.

5 comentários:

Ginha disse...

E se tivessem assobiado e criticado após uma derrota?!?!

Eram abutres?!?!

Diego Armés disse...

Eram adeptos. Os adeptos manifestam-se, faz parte do jogo.

Mas assobiar e insultar a equipa depois de uma vitória parece-me estúpido, inadequado, inoportuno, de mau tom, burro, desajustado, injusto, maldoso, inapropriado. Podia continuar, mas acho que a ideia ficou clara.

jose garcia disse...

Eh eh eh...

Com elas, ou vemos sempre um passo à frente, ou estamos f#did#os ;)

Bons passeios!

Germano Bettencourt disse...

Eu acho que eles não estavam assobiar a equipa. Estes jogadores não merecem os assobios.

Eu acho que a mensagem foi entregue a quem a merecia. Mas a forma como o fizeram não foi adequada.

Abraço

jose garcia disse...

E canções sobre o Benfica?

Sobre os golos do Benfica, o momento mais feliz das nossas vidas!

Hein?