terça-feira, 20 de setembro de 2011

Aconselhamento ao jogador

1. No jogo contra o Man. United (o “Náite”), já tinha ficado com uma leve impressão: duas ou três hesitações nas saídas aos cruzamentos que ainda não lhe tinha visto deixaram-me de pé atrás. Mesmo no lance do golo de Giggs, houve ali qualquer coisa que me disse “podias ter feito melhor, malandro”. Não estou, como é óbvio, a culpar Artur pelo golo sofrido nem a dizer que podia sequer não o ter sofrido; estou a sugerir que Artur pode não ter estado no sítio ideal no momento do remate do galês (julgo que foi Neno que disse, um dia, algo do género: “os grandes guarda-redes fazem grandes defesas; os melhores guarda-redes também, mas fazem-nas menos vezes porque estão mais vezes no sítio certo”).

Essa impressão, muito discutível – eu próprio a discuti comigo mesmo, vezes sem conta, “lá estás tu a deitar o guarda-redes abaixo, qualquer dia acaba no Saragoça!”, “tu é que és sempre o mesmo crédulo, só vês o erro quando ele já não dá para emendar!” -, ganhou contornos de preocupação com o golo sofrido diante da Académica. Uma vez mais, o caminho aberto de que Danilo dispôs deve ser tido como a principal razão para que o golo acontecesse como aconteceu. Mas Artur estava no sítio errado: demasiado longe dos postes, demasiado longe do avançado, na terra de ninguém, aquele sítio onde estar ou não estar significa mais ou menos o mesmo. A sua reacção ao lance ainda demonstrou bons reflexos; já a sua palmadinha carinhosa numa bola rápida como aquela soou a desperdício de esforço.

Não estou a contestar Artur nem, tão pouco, a tentar beliscar-lhe o estado de graça. Tenho todo o gosto em vê-lo na baliza do Benfica e sinto-me bem mais descansado desde que o lugar é dele. Só quero que o Artur saiba, quando ler este texto, que estou atento e que irei sempre apontar-lhe os erros para que os possa corrigir e tornar-se um cada vez melhor guarda-redes, para que consiga ser seleccionado por Mano Menezes como tanto deseja.

2. Foi também contra o Náite que a apreensão fez questão de surgir: Matic, jogador em quem tanto apostei na pré-época (as minhas notas dizem assim: “notável pé esquerdo, com elevada capacidade técnica”, “forte no choque, implacável no tackle”, “imponente no jogo de cabeça”, “a bravura de um latino a atacar a bola misturada com o sangue frio de um eslavo a guardar posição” – não sei o que andava a ler na altura, mas estava claramente inspirado – eu, não o Matic), entrou muito mal contra os ingleses. Pouco esclarecido em relação aos espaços a ocupar, foi sempre muito precipitado e/ou hesitante na abordagem aos lances. Resultado: poucas recuperações e muitas perdas de bola, maus passes – mesmo os curtos – e um buraco no meio-campo no sítio onde antes existia a segurança de Aimar ao lado de Witsel.

Na altura, dei desconto (e continuo a dar). Tendo vindo do Chelsea, é natural que o Náite o intimidasse um pouco. Já o jogo contra a Académica, no qual ainda me pareceu mais perdido, sobretudo na primeira parte, tenho mais dificuldade em compreender. O nervosismo não se justifica e aquela ansiedade em mostrar serviço só pode prejudicá-lo – até porque o dono daquele lugar é um senhor que prima pela tranquilidade e pelo acerto, nunca perdendo a calma.

Como disse, tenho Matic em alta conta e estou seguro de que se trata apenas de uma consequência de estar com nervos. Também só escrevo isto para que o Nemanja, quando ler, sinta que lhe presto atenção e encontre aqui uma ou outra dica para melhorar e, então sim, jogar como verdadeiramente sabe.

2 comentários:

N.T. disse...

O Matic não tem perfil de jogo para ser alternativa ao Javi. Só na cabeça do JJ é que existe ali um cabeça de área.

Continuo a achar que foi um erro emprestar o Nuno Coelho que, não sendo nada por aí além, conhece a posição e bastaria para os 4 ou 5 jogos que o Javi vai falhar até Maio.

Bettencourt disse...

tens muito jogador a ler o teu blog. É de louvar...